Só consigo pensar escrevendo. De outro jeito, me confundo toda. Os pensamentos vêm em ondas e se misturam uns com os outros e, no final, morrem na praia. Por isso criei esse blog. Para todos que só conseguem pensar escrevendo. Ou, pelo menos, só assim conseguem dar precisão ao que pensam.
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
Cidades muito
Sei que a franqueza nem sempre é uma virtude, mas ainda assim é preferível à indiferença. Já estou rodeando este assunto tem dias e me recusando a pensar nele. Ainda mais agora, em pleno vigor do estado de alegria. Mas ontem li o artigo de Renato Janine Ribeiro no Mais! e fiquei comovida. Ele, como todos nós, está perplexo, desorientado e perdido diante da crueza dos fatos.
Vou dizer também: pra mim, está ficando insuportável levantar todos os dias lamentando a morte de pessoas saudáveis, vítimas da violência de todo tipo e de qualquer natureza. Viramos todos carpideiras e se não prestarmos atenção, só vamos fazer isso na vida: chorar a morte de inocentes daqui e de todo o resto do mundo. Está ficando cada dia mais intolerável essa ladainha. Eu, pelo menos, estou que não me agüento.
Me irrito com todas as teorias que nos oferecem para explicar o caos em que nos metemos. E me dá nos nervos também aqueles que desqualificam essas mesmas teorias. Quem pode conviver com isso? Ontem, depois de ler o artigo de Janine, cedi ao tsunami dos meus pensamentos e deixei que viessem todos de uma só vez, em ondas gigantescas e dispersas, jogando água em todas as direções.
Quem sabe assim, do meio desse turbilhão, consiga pescar uma idéia que acalme as minhas manhãs? Quem sabe encontre também uma explicação que me tire da indiferença, que nunca tive? A morte de João me toca com a mesma intensidade, tanto quanto as mortes de outros joãos e marias pelo mundo afora. Tanto quanto a morte de zé manés que engrossam as estatísticas do ibge. Desse mal não morro, mas ele pode matar, sei bem disso.
Concordo e discordo de que é a injustiça social quem está matando nossos jovens sadios. Concordo e discordo de que é a educação sem valores quem está nos pondo em risco e ameaçando a sobrevivência de gerações futuras. Concordo e discordo de que nossas penas são muito generosas para os crimes hediondos. Concordo e discordo de que a impunidade estimula a irresponsabilidade sobre os atos que cometemos. Concordo e discordo de que é o tráfico de drogas quem está envenenando a nossa sociedade. Concordo e discordo disso e de todas as demais explicações que já cansei de ouvir nesses últimos dez dias.
Como diz o Cláudio, só falta agora ouvir um professor de educação física dizer que a culpa é da falta de políticas de esporte para os nossos jovens. O cabelereiro retrucar que esses jovens estão perdidos porque não cortam mais o cabelo como deveriam. A doceira da esquina reclamar que a violência é estimulada pelos rigorosos regimes a que esses meninos estão submetidos, com toda sorte de restrição aos doces. E assim por diante. E com todas elas, vou concordar e discordar.
Mas bateu uma onda que me laçou pelo pé e me levou em outra direção. Lembrei de uma frase: os maus exemplos não deveriam ser mostrados. Não foi Dona Censura quem disse isso. Nem foi ontem que disseram isso. Foi Platão, há algumas centenas de anos atrás. Não li Platão, mas um amigo que leu me disse que foi. Platão defendia essa idéia alegando que se víssemos com muita freqüência maus exemplos, ficaríamos tentados a repeti-los. E eu fiquei tentada a concordar com Platão.
Desconfio que perdemos mesmo a nossa capacidade de estranhar a violência. Ela foi banalizada de tal forma pela mídia, através dos filmes, noticiários, telenovelas e outros produtos menos nobres, que nem temos mais indigestão quando estamos frente a frente com ela. Foi banalizada também nas pequenas violências que cometemos cotidianamente contra o vizinho, o motorista do lado, o pedestre, o menino de rua e assim por diante. Mas é nesse caldo, da violência para consumo diário, que surge a barbárie. Essa sim, ainda capaz de nos surpreender de quando em vez e de nos devolver o sentimento de indignação.
Mas fiquei tão tentada a concordar com Platão que quis ver essa frase escrita no papel. Essa e outras que pudessem me conduzir por novos caminhos. Fui atrás dela na obra República, de Platão mesmo, onde me disseram que ela estaria. Não a encontrei. Mas achei outra que me provocou um maremoto de pensamentos. Aliás, o livro todo, que li na diagonal nesta última madrugada e agora deixei-o sobre a minha cabeceira, para retomá-lo num ritmo mais saboroso. De uma certa forma, República me devolveu a capacidade de sonhar. Aqui, no caso, de desejar um mundo ideal. Utopia da pura, claro, mas como poderemos sobreviver sem ela. É a utopia que nos faz caminhar, a abandonar a nossa apatia, a nossa descrença, para sair atrás dos nossos sonhos e ideais. Sem essas referências, ficamos como se estívessemos atolados num terreno movediço. Afundando, só afundando.
Na República, Platão descreve o diálogo de Socrátes com alguns homens sobre a natureza da justiça e da injustiça. Tema bastante apropriado para o momento. Para isso, Sócrates propõe a seus ouvintes abandonar a análise individual dessas questões, transferindo-a para um cenário onde elas se manifestam de forma mais ampla e, portanto, de mais fácil apreensão. Sócrates sugere, então, a construção de uma cidade imaginária, desde a sua constituição inicial até atingir a forma mais complexa de uma rede intrincada de grupos e de relacionamentos, semelhantes às que vivemos hoje, guardadas as devidas proporções.
Numa certa altura desse diálogo, os homens chegam a uma questão: qual deve ser o tamanho ideal de uma cidade, para que ela possa ser ainda considerada uma cidade justa? Para Sócrates, uma cidade pode crescer até onde puder se manter unida, para além disso, não! E esse é um problema que nos afeta nas vísceras. Todas as grandes cidades brasileiras abrigam hoje várias cidades dentro dos limites do seu território. Cidades concorrentes, que transformam o espaço público em campos de batalhas sangrentas. Cidades que abrigam pelo menos outras duas dentro delas: a dos pobres e a dos ricos. Mais que duas: a dos empregados e dos desempregados; a dos consumidores e dos excluídos; a dos que cabem dentro do espaço urbano e a dos que se aglomeram no entorno desurbanizado e assim por diante. Cidades que acolhem todos os diferentes e, por isso, apregoa a sua qualidade de diversa. Acolhe, mas os mantém próximos a seus iguais, reforçando os contrastes e alimentando excessos de toda ordem. Cidades muito tudo. E, principalmente, muito violentas e injustas.
Fico pensando, se teremos como escapar da violência, sem voltarmos a discutir esse tema já quase esquecido, da década de 70, se não me engano, mas fundamental para encontrarmos uma saída adequada dessa desordem onde estamos chafurdando: a questão da cidade e do impacto dos processos de urbanização no Brasil, da década de 60 em diante até os nossos dias. Vou por aí. Pelo menos por enquanto.
Para os que gostam, a companhia de milhões de foliões na avenida. Para os que não curtem, vai a canja de Gil e Caetano, logo abaixo:
Até o próximo baile!
sábado, fevereiro 17, 2007
Com que roupa eu vou?
Mas se é assim, que seja. Vou brecar fundo. Parar com tudo. Só não vou tolerar ficar sem fazer nada. Já cansei disso. Quero intensa programação nesses dias. Todos os meus cinco dias integralmente ocupados! Com qualquer coisa que me afaste da tentação quase irresistível de arrumar gavetas, rasgar papéis, atualizar a nova agenda, tirar poeira dos livros, zapear nos 90 canais de tevê e outros afazeres intermináveis e enfadonhos.
Já sei. Vou botar a leitura em dia! Tem cinco livros na cabeceira da cama, gritando silenciosamente: devorem-me! Devorem-me! Estou olhando para eles. Olho no olho. E respondo: depende. Mas depende do quê?, eles querem saber. Uai, depende da história, se ela será capaz de me prender e me deixar suspensa no tempo por alguns dias, perdida no universo paralelo das palavras inventadas. Depende do jeito que o autor for capaz de contar essa história, se ele saberá, de fato, criar uma fresta no meu dia, que me seduza a atravessá-la, para entrar no círculo mágico da fantasia. Depende, uai. E agora, sinceramente, agora agora, não sei. Mais tarde penso nisso.
E, que seja. Ainda assim, será insuficiente para ocupar meus cinco dias de licença. Não seria capaz de me deixar ficar mais do que algumas horas olhando para um papel cheio de letras. E depois? E depois? Preciso ter calma nesse momento. Mas pensar, pensar rápido! Nem ouso pegar o telefone para ligar para alguém e propor um programa legal. Já sei, já sei, todo mundo está viajando. Todos sabiam que teriam cinco dias livres na agenda e planejaram, com antecedência, um programa irresistível, hiper bacana, com mil atividades, junto com uma turma super animada e, pra completar, tudo isso num lugar imperdível, tipo paraíso na terra. Então, tá. Mas não precisam tripudiar. Digam apenas: não posso e tiau!
Então...então....o que posso fazer? Acompanhar o triathon de Guimarães Rosa! Isso, isso sim! Tem uma turma já preparada para atravessar a cidade a pé, conversando com quem entende, sobre os mistérios dos sertões. Depois, todos vão para a beira da Pampulha, percorrer a lagoa de bicicleta, parando onde der, para ouvir trechos da obra de Guimarães. E, depois disso tudo, vão pular na piscina do CEU e, estirados na grama, esquentando o sol, refletir sobre tudo que ouviram. Esse pessoal inventa cada uma, hem? A programação é boa, mas, pensando bem, é muita falta do que fazer. E, prum carnaval, mais cabeça do que gostaria. Não vou.
O tempo está passando, indiferente à minha aflição. Meio dia já se foi. E nenhuma perspectiva pela frente. Quer saber? Vou radicalizar. Não vou fazer nada mesmo. Principalmente, não vou fazer nada que tenho de fazer. Se acontecer de aparecer algum programa, só faço se não tiver de. Se for alguma coisa que seria absolutamente improvável nesse momento. Algo que me pareça mais que surpreendente de tão impossível que é agora. Algo que não me exija ficar pensando, sofrendo, não para decidir se topo, mas para saber, por exemplo, com que roupa eu vou. Insisto, algo que eu possa aceitar despretensiosamente. Agora sim, acalmei. Decidi. Vou fazer nada e seja o que deus quiser!
Uma bateria da Mangueira para todos os que gostam de carnaval e um relógio sem bateria para quem quiser só curtir a agenda vazia.
Até de repente.
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Cenas da cidade
Fotos: Todas minhas, tirem a mão!
Do Topo do Mundo, no entorno da cidade. Vale pelo visual, pelo vento, pelo vôo (dos outros). A comida, bom, a comida é como diz minha irmã, quanto mais no alto está o restaurante, pior a comida. Um exemplo irrefutável dessa máxima é o avião.
Uma boa navegada para todos.
Até qualquer hora.
Gil, conforme prometido
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Aquele
Fiquei sabendo de ouvir falar que bush, aquele que não assina o Tratado de Kioto nem debaixo de burduna, virá ao Brasil agora, no início de março. Demorou, mas foi mais conveniente mesmo esperar o carnaval passar. Foi uma decisão correta, admito. Quando nada, é menos um avião para sobrecarregar os aeroportos brasileiros e ainda mais num feriadão. Seria um risco tremendo. Vai que ele chegasse na hora do rush e tivesse de ficar uma hora e lá vai pedrada sobrevoando a cidade, até arrumar uma vaga na pista. Ele não deve saber disso, mas vou contar: não é nada confortável. Além do mais, duvido que ele fosse gostar da nossa farra. Ia acabar tendo de sambar com a madrinha da Mocidade Independente, fazer pose com os meninos da Rocinha, sair no trio elétrico do Dodô e ainda se esconder dos militantes carnavalescos para não levar um ovo no meio da testa ou uma bengalada, sei lá. Foi melhor mesmo deixar a poeira baixar.
Só espero que ele não tenha inventado de despencar lá de cima só para vir aqui nos pedir sugestão sobre o que fazer com o Iraque. Se vira, cara! Vocês que são os aliados que se entendam. Até sei que tem brasileiro por lá metido em farda americana. Mas isso aí foi uma decisão pessoal, não devemos e nem podemos interferir. Cada um sabe o que faz. Ou então, faz o que sabe. Mas se bush ainda for esperto, não vai tocar nesse assunto. Aliás, vai fugir dele, porque não tem ajudado em nada a melhorar o seu ibope. Seus índices estão uma vergonha! Mas, se não é isso, que diabos esse homem vem fazer aqui?
Será que ele já está sabendo, também de ouvir dizer, que o Brasil vai retomar o seu programa nuclear? Vem caçar briga, o galinho garnizé? Que coisa siô, o homem não sossega. Porque lady Laura não dá um trato nesse bush e põe ele na linha de uma vez por todas? Cadê a moral de lady Laura? Vou te contar, hem? Mas acho bom ele ir se acostumando. Mais cedo ou mais tarde, mas jamais nunca, nós e todo o resto do mundo teremos, querendo ou não, de investir em um projetinho básico de produção de energia nuclear. Com todos os seus problemas, essa ainda é a única fonte que substitui o petróleo com preço e produção equivalentes. Essa neura do bush de que todos nós estamos querendo fabricar a nossa bombinha é puro diversionismo. O que ele não quer no seu quintal é um bando de países independentes e autônomos na produção de energia. Isso seria o enterro do império, que já está em queda livre há tempos.
Ou será que ele vem aqui pedir uma boquinha no nosso projeto de biocombustíveis? Ouvi dizer, porque não ando tendo tempo para ler jornal, que bush quer fazer isso mesmo. Vem propor uma parceria com o Brasil, para melhorar a segurança energética global e ajudar os países a diversificar seus estoques de combustíveis. Sei. Quer investir em pesquisas para ampliar o uso do etanol. Etanol, hem? Êita nós, isso sim! Olha o tamanho da encrenca em que vamos nos meter. Para substituir só 10% da gasolina consumida no mundo por etanol brasileiro, o Brasil terá que multiplicar por cinco, até 2025, a atual área plantada destinada à cana-de-açúcar.
Teríamos de passar dos atuais 5,6 milhões a 6 milhões de hectares para 30 milhões de hectares. Na minha ignorância absoluta, 30 milhões de hectares é terra pra burro, apesar do professor Rogério Cerqueira Leite, coordenador do Projeto Etanol brasileiro, dizer que essa expansão não ocuparia nem 10% da área agricultável do Brasil. Nem precisaria ocupar terras da Amazônia. Mas se não vão ocupar novas fronteiras agrícolas, vão produzir onde? Provavelmente vão substituir culturas menos nobres, como arroz, feijão, milho, tomate e a horta do Zé Mané, por canaviais. E aí quero ver os barrigudinhos chupando cana ao invés de comer arroz com feijão e ainda crescer forte e sadio, mesmo no meio pobreza.
Sinto muito. Acho o programa de biocombustíveis bárbaro. Faço até propaganda dele com todo mundo que quer criticá-lo. Mas os biocombustíveis são apenas uma fonte alternativa de energia, uma fonte complementar e só. E só e muito, porque reconheço, o domínio dessa tecnologia representa para todos nós muitíssimo. Agora querer transformar o Brasil num canavial para exportar etanol para o mundo inteiro e virar a Opep Verde do ocidente, péra lá, né? Vem devagar com o andor, bush, porque o santo está escaldado. Será que nós, o Brasil, vamos querer abrir mão da nossa diversidade ampla, geral e irrestrita?
Até de repente, porque baixou o sono e já comecei a delirar.
Que nossos anjinhos da guarda mantenham a sentinela, até quando bush passar.
Uma canja do Caetano para fechar a noite: Podres Poderes
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Cenas da cidade
Fotos: Minhas mesmo
Dei a maior sorte. Ontem estava descendo a Contorno e vi esse girassol, que nasceu no meio do asfalto entre uma pista e outra. Iluminou o resto do meu dia. Depois, passei outra vez e ele continuava lá. Não pude resistir. Saquei a minha digital e pimba! registrei. Hoje fiz o mesmo caminho, mas algum engraçadinho já tinha arrancado o girassol. Vê que ruindade. Tem gente que nasce assim, com o demo no coração, cruiz!
Mas ele perdeu tempo. Já tinha capturado o girassol para espalhá-lo na rede! Aí vai! Dias iluminados para todos.
Buenas, inté e uma canja do Milton e do Lô pra vocês, meus amigos, porque vocês merecem.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
O bicho está pegando
Tô sabendo. Então quer dizer que agora sim. Agora podemos reconhecer que estamos num mato sem cachorro. Ou melhor, com um cachorro no meio de um nada, sem mato e sem perspectiva. Agora, mesmo já carecas de saber, mesmo já sentindo na pele os efeitos da mudança, podemos dizer que agora é fato. O relatório do IPCC está aí pra ninguém dizer que estamos delirando. Antes isso.
Até bush, aquele mesmo de sempre, que continua se recusando a assinar o Tratado de Kioto e a reconhecer outros tantos que o mundo inteiro apóia, agora se rendeu à majestosa sabedoria da ciência e já admite que o bicho está pegando. bush, aquele que fechou os olhos quando os sinais da mudança se mostraram evidentes na sua própria casa. Quem diria? Agora ameaça pensar no assunto. Isso me dá até medo. Vai sobrar pra nós, não duvide.
Está muito bem. Vou relevar o passado. Vamos sentar e conversar, ainda que seja só para não sair do lugar. Vamos priorizar as gerações futuras! Mas vou dizer uma coisa, meu estoque de crença na boa vontade dos homens já está esgotado não é de hoje. Como não é de hoje, nem de ontem, a advertência surrada de um velho índio americano: nós não herdamos a Terra de nossos pais. Nós a tomamos emprestada de nossos filhos. Quem se lembrou disso em algum momento, desde então?
É por isso que olho com desânimo o alvoroço em torno do relatório do IPCC. Se esse relatório fosse uma ameaça do nosso PCC não duvidaria dele. É triste, mas é assim. Os dados e conclusões do internacional IPCC só vão fazer brotar pelo ladrão centenas de políticas públicas: umas para combater o aquecimento do planeta, outras para estimular o desenvolvimento sustentável, outras para implantar fontes de energia alternativa (ai, ai, hem?) e mais uma infinidade de tantas outras que nem mais sei pra quê. Centenas de políticas, que nunca sairão do papel. O poder dos nosso líderes de plantão está apenas na definição de uma agenda, mas não na sua capacidade de implementá-la. Isso é uma constatação. Infelizmente.
E mais, não acredito que somos os únicos responsáveis pelas mudanças climáticas e sistemáticas do meio ambiente na nossa terrinha. Não somente nós. Isso seria acreditar num poder que nunca detivemos. Somos poeira de estrelas, lembra? Não estamos imunes ao movimento do universo. Somos gaia e parte, quase invisível, de um todo muito maior que está vivo. Que muda e transmuda todo o tempo. E as tempestades solares? E as explosões estrelares? E outros tantos fenômenos que ocorrem em outros tantos corpos celestes? Nada? Não nos afetam? A terra não está viva como eles? E no entanto se move.
Que sejamos, então. Ainda assim, desconfio de que nada do que for proposto para enfrentarmos a nossa crise de envelhecimento precoce, anunciada pelos doutos da comunidade científica internacional, nada disso será o bastante se não estivermos dispostos, de alma e coração, a modificarmos, na essência, nosso jeito de estar no mundo. Se não estivermos generosamente e humildemente dispostos a abrirmos mão do nosso conforto e de determinados padrões de consumo, incompatíveis com as mudanças necessárias. Se não estivermos dispostos a deixarmos de ser escravos do mercado para nos rendermos à força da natureza. Quem se aventura?
Aí é que a porca torce o rabo. Pois não é possível mesmo cumprirmos as metas de redução de emissão de gases estufa e de outros poluentes que estão adoecendo o planeta, se não houver uma mudança na outra ponta da linha de produção: nesse tal de mercado. Essa vitrine que nos envolve e nos devora a todo instante, nos expondo à média de 5 a 3 mil mensagens publicitárias por dia, até não resistirmos à tentação e nos deixarmos ser engolidos pelas suas milhares de bocas.
Mas que monstro é esse? Que presas indefesas somos nós? Quando falamos de mercado, estamos nos referindo a quem? Cada vez mais, aos donos de uma meia dúzia de um pouco mais de empresas que, através de fusões, incorporações e outros ões, estão dominando segmentos inteiros em uma dezena e mais de setores. Cada vez menos, aos 10% ou 15% da população mundial, as vítimas indefesas que tem acesso aos produtos daquela meia dúzia de megaempresas. E quem de nós ou deles vai topar abrir mão do seu consumo desenfreado e eternamente insaciável para se reencontrar na simplicidade voluntária? Levanta a mão!
Melhor sentarmos enquanto aguardamos um candidato. Melhor até deitarmos e dormirmos.
Soninho de criança para todos nós, quem sabe amanhã teremos um alegre despertar e recobramos a nossa fé nos homens de boa vontade.
Inté.
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Têm certas coisas no ar
Enquanto andava pelas areias do planeta, com minhas havayanas verdes, pesquei muitas histórias. Pedaços, na verdade, que juntei como peças de um quebra-cabeça. É mais ou menos assim que se inventam novas histórias ou se constroem novos argumentos para alimentar velhas teorias da conspiração. Sinceramente não sei até onde vai a verdade e onde é que ela se confunde com as invencionices, mas o fato é que o conjunto deste quebra-cabeça fez surgir uma versão mais consistente do que todas as outras que li nos últimos tempos sobre o caos que vivemos nos ares.
Quando o vento sul bateu, ouvi dizer que o Brasil estava prestes a assumir a coordenação geral dos sistemas de controle de vôos da América do Sul ou coisa assim, quando ocorreu o acidente com o avião da Gol, em outubro de 2006. Uma tarefa deveras edificante. Nada mal mesmo. E entre seus vizinhos, o Brasil não teria nenhum outro concorrente mais bem equipado e preparado para essa missão. Vide documentário sobre o sistema de controle de vôos da Argentina que passou recentemente na tevê. Um caos. Mas nem só de vizinhos se fazem concorrentes. Bateu o vento noroeste e escutei mal-mal que uma empresa americana teria interesse em disputar com o Brasil não a posição, mas a operação do sistema. Além de ser um bom negócio, deve ser né?, estrategicamente é uma excelente pedida, principalmente se pensarmos no movimento aéreo na região da Amazônia. E é aí que uma história foi se juntando a outra e surgiu uma versão desconfiada sobre tudo que estamos vendo nas salas de espera dos aeroportos brasileiros.
A história é cumprida e vou resumir. Depois do acidente com o avião da Gol, de um dia para o outro portanto, tudo que vinha funcionando de uma forma até razoável, se considerarmos que as condições de vôo de uma aeronave são, em boa medida, determinadas por fatores incontroláveis, como o tempo, toda essa engrenagem, assim, relativamente bem azeitada, emperrou. O sistema de controle de vôos, que mal sabíamos que existia, entrou em parafuso. Ninguém se entendia e nem acreditávamos mais como é que algum dia isso pôde funcionar, se é que funcionou.
Aí ficamos sabendo que os controladores estavam fazendo greve branca, porque queriam, exatamente, transferir o vínculo de subordinação à área militar para um órgão de natureza civil. Os controladores brasileiros devem ter lá suas razões para reivindicar essa mudança. Mas essa, sem dúvida, deve ser uma condição necessária para viabilizar a entrada de terceiros na disputa pela operação do sistema continental que o Brasil estava prestes a assumir.
E se essa versão tem um fundo de verdade, se não é brincadeira do vento que, na praia, sopra em todas as direções, o acidente com o avião da Gol não seria também uma parte dessa história? Essa foi a dúvida que atormentou o meu adola. Será que foi fatalidade? Será que houve um acidente? Como explicar que os aparelhos de controle de vôo do Legacy, testados obrigatoriamente antes de qualquer decolagem, estivessem desligados? Como um boeing 737-800 explode no ar e o outro, que provocou a sua queda, sai apenas com uma asa danificada? Por que tantas perguntas continuam sem respostas?
Ia pensar sobre isso, mas fui andando na areia e as ondas batendo nos meus pés e me deu vontade de entrar no mar. Mergulhei e um peixinho me fez mudar de assunto. Veio me dizer que há no ar mais histórias para se contar do que supõe a nossa vã filosofia, mas que no mar, existem mais lendas e invencionices do que somos capazes de imaginar. E me contou uma história que um dia, se tiver tempo, vou passar pra frente. Hoje não, que já estou com sono. Mas um dia, quem sabe?
Uma onda de sonhos bons para todos e um despertar ensolarado, cheio de luz, que estamos precisando.
Até mais ver. Um dia.
domingo, janeiro 28, 2007
Minhas férias inesquecíveis
Pronto, voltei. Foi assim: uns dias de sol, outros de chuva e todos ótimos. Sem relógio, sem agenda, sem pressa, sem rompantes, sem xiliques, sem carro, sem barulho de carro, sem trânsito, sem sirene de polícia varando a noite, sem zunido de computador atazanando o ouvido, sem banco, sem filas, sem correspondência nenhuma, sem jornal, sem rádio, sem infinitos canais de televisão, sem notícia de nada, sem nenhum tenho de, ou um isso ou aquilo para ter de se decidir, sem grandes polêmicas que não tivessem simples e fáceis soluções e, principalmente, sem nenhuma, mas nenhumazinha, vontade de pensar. Pra resumir, todos os dias por conta mesmo de fazer nada. Só o mar, indiferente a tudo isso, indo e vindo, indo e vindo. E o vento, hora soprando de um lado, hora soprando de outro.
E sendo assim, apeei o mundo das minhas costas, calcei as havayanas e fui andar pelo planeta. Quebrava à direita e ia sempre em frente, depois voltava. No outro dia, virava pra esquerda e a mesma coisa. Às vezes deixava as havayanas numa sombra e ia com o pé no chão, beirando o mar e desafiando as ondas que queriam me derrubar. Às vezes subia nas pedras pra espiar o mar do lado de lá, sempre mais verde que o de cá. Às vezes nem isso. Outras vezes mais. Domei uma coleção de bicho geográfico no pé de um dos meninos, joguei paciência até ganhar, passei os olhos nos livros que levei, acompanhei algumas partidas de golf no Tiger Wood dos meninos, cantei com Lulu Santos e mais toda a galera do sub-17, fui de lotação conhecer outros mares, fui a pé, descobri um delivery de pizza para as noites de chuva, mas um dia cozinhei um macarrão de acampamento e no outro encomendei um pernil na Orli para compensar. Às vezes ficava acordada de madrugada, esperando os adola voltar pra casa, e depois levantava cedo e deixava-os dormindo até quando bem entendessem, afinal, estão ainda em fase de crescimento. Mas dormia à tardinha e uma vez dormi o dia inteiro e mais uma noite sem parar. O que qui tem? Férias, né?
Também ouvi muita história. Mas fui eu mesma que cacei. Ia atrás do povo e pedia que me contassem. Eles têm um problema e sabem disso, só não sabem como resolver. É uma história cumprida demais. Não vou contar. Um dia, quem sabe. Mas a solução é fácil. Disse isso a eles. Bastava que tivessem boa vontade e conversassem uns com os outros. Mas isso eles não fazem. E é daí que surgem tantas outras histórias pra explicar porque um não pode falar com o outro e o outro não pode falar com o um e assim por diante. Como vêem, até lá nas bibocas do confins, o mundo é todo igual. Vai entender, né? Não fiz nem força. Só provoquei para ouvir. Fiz que nem o Waldencir. Era pescador, mas cansou. Agora gosta de ficar olhando o mar. A mulher diz que ele é bicho à toa. Ele diz que nada. Fazer o quê? Pra quê? Caixão não tem gaveta! Vou ficar olhando o mar que é o que gosto. Fiquei só ouvindo, que é o que gosto. Fazer o quê? Se eles que são eles não querem se ajudar, vou eu?
Foi assim. Agora voltei. Passei o dia jogando papel fora e abrindo espaço na estante para acomodar os cadernos e livros novos dos meninos. Amanhã desfaço as malas e arrumo gavetas. Na segunda, pego o carro e vou trabalhar. Só passei os olhos de relance na pilha de jornais amontoada na cadeira da sala. Não vou nem me dar ao trabalho de ler notícia velha. Aposto dobrado que nada mudou. Em trinta dias posso ficar um ano mais velha, posso morrer de banzo, de saudade, de tédio. Posso mudar de cor, de humor, de pele. Posso trocar de sonho, pular os pesadelos e cair na real. Tudo muda, em trinta dias ou em trinta segundos. Mas o mundo não muda em trinta dias. Uma hora dessas pago pra ver e vou ler as manchetes vencidas. Êita vidinha, hem?
Um domingo de graça pra todos nós, porque depois é segunda e não vai ter graça nenhuma.
Inté.
quinta-feira, dezembro 28, 2006
Dia de cão
Trilha alternativa: Pesar do mundo, com Caetano.
Hoje acordei politicamente incorreta. Acho que neste final de ano tive uma overdose de sorrisos e abraços. Agora acordei com vontade de rosnar. Nada como um dia após o outro. Estranhei tudo que, por acidente, estava mais perto de mim. Estranhei a cerca elétrica, as grades, as portas e janelas da minha casa. Quando foi mesmo que tivemos de construir essas muralhas para nos guardar do mundo lá de fora? Nem me lembro mais, mas não importa. Por mim, cimentava o jardim, que está todo florido, rodeava a grade com arame farpado e pregava uma placa: Cuidado! Cachorro bravo! Ainda armava alçapão na varanda para afastar os passarinhos, que me acordam todo dia zoando até eu levantar.
Estranhei os pivetes na rua. Um bando deles, descendo a rua rindo e fazendo palhaçadas. Riem do quê? Nem olhei, para que não se aproximassem, porque se me pedissem qualquer coisa, um copo d´água que fosse, rosnaria para eles também. Cansei de conversa fiada. É sempre o mesmo teatro. Fazem cara de triste, falam choramingando, apelam para nosso espírito cristão e vão indo até partir meu coração. Mas hoje rosno para todos eles.
Estranhei o gerente do supermercado, que veio todo gentil e sorridente anunciar as ofertas do dia. Desviei-me dele como o diabo da cruz. Uma, duas, três vezes. Será que ele não se cansa de fazer esse papel ridículo todas as manhãs? Será que ele não sabe que já desconfiamos da sua matemática compensatória, aumentando o preço de produtos que, inevitavelmente, teremos de levar, só para cobrir os descontos que nos oferecem nas perfumarias? Rosno para ele também, principalmente, se insistir em me perseguir nos corredores do supermercado.
Estranhei um motorista de carro, que vinha bem ao meu lado, e reduziu a marcha de repente só para um pedestre afoito atravessar a rua correndo. Não foi pelo susto que levei nem pelo meu reflexo, que também me fez reduzir a velocidade para o mesmo gaiato passar. Mas estranhei o motorista por ele não ter estranhado o pedestre que deveria ter tido mais paciência e aguardado disciplinadamente a sua vez de passar. Conheço essas manhas, porque também gosto de andar a pé. Sei muito bem que, para enfrentar o poder da máquina, os pedestres se fazem de bobo e se atiram na frente dos carros, certos de que serão salvos pelo bom senso. Às vezes se estrepam, mas só às vezes. Rosnei para os dois e fui embora.
Estranhei as músicas que tocavam no rádio. Uma seqüência de seis, todas iguais. A mesma escala de dó, onde alguém espera outro alguém que não vem ou que já foi. Porque não rosnam também? Aperto uma tecla e mudo para o noticiário. Tudo igual outra vez. Uma guerra, alguém que morreu, alguém que matou, alguém que roubou, um país que cresce, uma país que não cresce. Mudam-se apenas os lugares e os nomes, mas a história é a mesma. Nem rosno mais, porque nessa faixa todos já rosnam uns para os outros. Estou dispensada.
Mas, pensando bem, é melhor não perder o jeito. Rosno para Saddam Hussein, responsável pela morte de 148 xiitas na cidade de Dujail, em 1982. Rosno mais ainda e mais ferozmente para bush, responsável pela morte, em fardas americanas e apenas por enquanto, de mais de 3 mil soldados, em solo iraquiano. Rosno de longe para o Planalto e de perto para Justiça que arquivou a ação penal contra Paulo Maluf. Rosno para o Índice de Capacidades Básicas do Observatório da Cidadania, onde o Brasil ocupa o 82° lugar entre 162 países, apesar de ser a 15ª economia do mundo (ja fomos a 8ª, não fomos?). E por aí afora foi o dia inteiro. Eu, do meu canto, rosnando para o mundo.Ah!, nada como um dia para rosnar! Ao final dele, estamos desanuviados e novamente
Dias de sol, uma sombra generosa, debaixo de uma amendoeira, um vento salgado e uma água gelada para todos nós, porque estamos merecendo.
E hoje, que o anjinho da guarda vele pelos sonhos bons de todos vocês!
domingo, dezembro 24, 2006
Insanidades consentidas
Ufa! Está passando. Mais alguns dias e estaremos do lado de lá, mergulhados em um novo ano. Mas aí, novos dias, de segunda a sexta; novos fins de semana, de feriados emendados e de noites de domingo; mais tardes chuvosas, sessão de cinema e pipoca; mais festas, batizados e casamentos; e, de novo, o fim do ano outra vez e assim por diante. Ainda assim, já que sempre será, só mais alguns dias e escaparemos a salvo da histeria mansa que entranha por nossas veias e nos tira do frágil equilíbrio que mantemos, a duras penas, ao longo de todos os meses, até antes do final do ano chegar.
Nessa temporada, o inflexível andamento do tempo fica em suspenso e flutuamos leves e soltos entre o passado e o futuro, livres da segura âncora do presente. Perdidos na linha de nossas histórias, divagamos entre o que fomos, o que seremos e o que gostaríamos de ter sido e o que desejamos ser. No rumo incerto das lembranças e fantasias, embarcamos na loucura insana de não nos deixarmos ser, nem só por um instante, o que de fato somos. Até que, de repente, o sol amanhece em outro ano, e retomamos o fio que nos conduz por mais 365 dias, subtraídos aqueles nos quais vigora o nosso delírio flutuante da passagem.
Mas neste ano não vou me deixar levar. Vou fincar pé naquilo mesmo que sou. Paciência. Vou seguir à risca as sete orientações de Dunker, descritas no seu Manual de Sobrevivência Psíquica de Fim de Ano. Foi a Rutinha que me emprestou. Valeu! Pra começar, não vou deixar escapar nem um detalhe de nada das festas e encontros de fim de ano. Não vou usar nenhuma estratégia diversionista. Ficarei atenta mesmo naqueles detalhes que me tragam o desprazer de lembranças incômodas. Vou recebê-las como um presente do tempo e revivê-las desprevenida, com a calma e a leveza que acabei por adquirir. Vou tentar, mesmo sendo difícil, transformar as vivências efêmeras das gentilezas sociais em experiências.
Depois, esqueçam, não vou contabilizar os fracassos e sucessos do ano que passou. Já sei que se fizer isso a soma vai dar zero, igual a nada. Esse jogo já não tem mais nenhum significado. Melhor do que isso é ter a certeza de que vivi plenamente todos os momentos, bons e ruins, e deles tirei um naco de tudo que precisava para seguir
E tem mais, não vou brincar de acreditar na magia dos rituais que se repetem nas festas e encontros de final de ano. Crianças, se cuidem! Não vou fingir que acredito nem permitir que alguém acredite por mim nas verdadeiras e encantadas histórias de Papai Noel. Conheço bem todas elas e por isso me comporto direitinho o ano inteiro, pra não pagar mico na noite de Natal. Também creio com fé na brincadeira do amigo oculto. Se me contarem, não acredito que alguém tenha burlado o sorteio e muito menos que alguém já tenha descoberto quem é o seu amigo oculto ou de quem quer que seja. Esse é um mistério que só se desvenda à meia noite do dia 24 para 25 de dezembro. E sou ainda mais tão crente, que levo a sério até o banho de sete ervas, com pétalas de rosas brancas e vermelhas; a sopa de lentilhas; as doze uvas; a roupa branca; as sete ondas e tudo mais que me contarem. E vou continuar assim.
Outra coisa, podem contar comigo para todas as brincadeiras, mas saibam, de antemão, que estarei à certa distância de mim mesma, em todos os momentos, me observando de banda, para não perder nada. E se não ficar satisfeita com o que estiver vendo, se achar que estou me excedendo, mesmo que só um pouco, mas o suficiente para não mais me reconhecer, não tenham dúvida, vou me recolher. Não tenho receio de estar comigo, já que faço isso o dia inteiro e, para ser sincera, prefiro assim, a ter que desempenhar papéis que não me cabem em histórias que não escolhi, só porque é Natal ou só porque é o último dia do ano.
Por fim, a regra de ouro: vou tentar, de verdade, fazer tudo isso que descrevi, mas se não conseguir, não vou me desesperar. Só não vou levar tão a sério assim as loucuras insanas, mas consentidas, de final do ano. Como recomenda Dunker, vou guardá-las com carinho, que já é o suficiente. E para entrar de bem com 2007, vou imitar os romenos, que imitaram os romanos. Um pouco antes da meia noite, vou apagar as luzes e parar o relógio. Só quando ouvir os foguetes lá fora, é que farei os brindes que, na hora, me vierem à cabeça e deixarei a luz iluminar novamente trazendo de volta a lucidez.
Se der ainda volto.
domingo, dezembro 17, 2006
Modo de Vida
Os norte-americanos continuam sendo a população mais gorda do planeta. Nada a declarar. Nem precisaria. Mas não saberia dizer se são também a população mais esfomeada do mundo. Agora, com certeza, é a que tem o presidente mais guloso de todos. Ele quer sempre mais e mais todo o resto que sobrar. Isso tem a ver com o seu jeito ambicioso de olhar pro mundo. O que ele não deve saber, no entanto, é aquilo que Maria já sabia há muito tempo e repetia o dia inteiro para os meninos: quem tudo quer tudo perde. Tá demorando, mas uma hora chegamos ao fim.
Agora, a obesidade dos norte-americanos deve ter a ver com uma gula de outra natureza. Ou, então, está mais ligada ao modo de vida que eles andam levando. Por isso devemos observá-los com atenção redobrada para fazer tudo diferente, se possível, o oposto. É claro, não é não meninas? Ou vocês querem passar a vida inteira correndo da balança? Segundo o Resumo Estatístico dos Estados Unidos de 2007, divulgado nesse final de semana, os norte-americanos passaram, no último ano, cerca de oito horas e meia por dia assistindo à televisão, usando computadores, ouvindo rádio, indo ao cinema ou lendo.
Danou-se, hem? Fui fazer as contas e acho que não estamos longe disso não. De manhã, gosto de tomar café lendo jornal. Nisso gasto algo em torno de 40 minutos, fazendo uma leitura
Ou seja, não estamos num bom caminho. Fui fazer contas de novo, só por alto, para ter uma idéia da grandeza do nosso problema. Perdi 44 dias do ano em frente ao computador. Outros 22 dias só ouvindo rádio! Onze dias vendo televisão e mais onze lendo jornal e folheando livro. Não estou contando os finais de semana e feriados, porque nesses dias a rotina sai do ar. Do total dos dias úteis, foram 88 dias, quase três meses do ano, dedicados exclusivamente à atividades sedentárias. Assim não é possível, meninas! Isso não é jeito viver, vocês concordam? Não há regime algum no mundo nem academia que supere o peso dessa rotina sobre nossas vidas.
E nem pensem em argumentar dizendo que dedicamos os outros nove meses do ano às atividades físicas: andando, correndo, nadando, malhando e assim por diante. Me conheço bem e sobre todas vocês tenho pelo menos uma leve idéia. Estou muito segura para dizer que até corremos muito o ano inteiro, mas estamos longe de poder afirmar que temos uma atividade física regular que compense verdadeiramente os 88 dias de atividades sedentárias. Não se esqueçam que não inclui no rol das atividades sedentárias as horas gastas com reuniões, que sozinhas devem consumir mais três meses; as horas de supermercados e sacolões; horas de alimentar, tomar banho, dormir que ninguém é de ferro e assim por diante.
Então, ou damos um jeito nisso em 2007, de forma radical, ou vamos é correr o risco de acabarmos como os norte-americanos. Lá, tirando a bicicleta que é a campeã das campeãs, o segundo objeto responsável pelo maior número de acidentes com ferimentos é a cama. Pudera, não é não? Não há estrutura que agüente o peso desse povo. E muito menos suporte o peso de seus pesadelos, provocados, com certeza, pela gula do presidente que eles foram nos arrumar.
Uma semana de alegres preparativos para a saborosa ceia de Natal!
Buenas a todos!
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Façam o que eu digo, não o que faço
Meninas, tenho boas e más notícias. Primeiro, vamos às boas. O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, o empresário Paulo Skaf, aderiu a nossa campanha de boicote aos produtos chineses. Nem acreditei. Um paulista! Vocês sabem, isso é muito difícil para eles, é um ato quase revolucionário, porque tudo na vida de um paulista é business e business is business. Questionar as regras do mercado não é, para eles, um ato de ousadia, mas de insanidade mental. Por isso fiquei muito sensibilizada com a atitude de Skaf e, principalmente, desconfiada.
Meninas, pensem bem como deve ter sido difícil para o presidente da Fiesp dizer isso com todas as letras e para um público que também só sabe dar com a língua nos dentes. Olhem, eu fiquei consternada. O Cláudio acha que sou boba, que essa é uma reação absolutamente natural dentro do mercado. Que o presidente da Fiesp está apenas defendendo os interesses de seus filiados. Que, aliás, ele, o Skaf, vem denunciando isso não é de hoje. E mais, disse que os empresários brasileiros são assim mesmo, não gostam de se sentir ameaçados, ainda mais pela concorrência e disse que mais um monte de coisas que não vou repetir aqui, porque é tudo aquilo que já desconfiávamos desde criancinhas.
Pode ser isso mesmo, mas quando olho para o mercado chinês, com aqueles milhões e milhões e milhões de chinesinhos, que inviabilizam a economia de escala de todo o resto do mundo, eu penso que os empresários paulistas estão sendo muito ousados mesmo. Nem importa se nossa pauta de exportações para China é pouco diversificada. O fato é que, mesmo sendo poucos produtos, para eles só podemos vender muuuuuito, porque a China, já sabemos, é desproporcional.
E pode mesmo até ser isso tudo que o Cláudio falou, mas Skaf me pareceu corajoso e também muito sincero. Além do chôroro, o empresário paulista pegou pesado e acusou a China de banditismo, olhem só!, banditismo, por adotar práticas de comércio desleais. E não ficou só no blábláblá não. Skaf confirmou que a Fiesp tem 11 processos de antidumping contra a China e outros 30
Bom, agora vamos à má notícia. Segundo o relato do jornalista Carlos Alberto Sardenberg, depois de fazer esse pronunciamento, cheio de murros e pontapés, Skaf encerrou a celebração de final de ano distribuindo um brinde aos jornalistas. Adivinhem, meninas! Isso mesmo, a lembrancinha da Fiesp, não era nada mais e nada menos do que coloridos pen drivers, nosso sonho de consumo. Mas não é isso que vem ao caso, o que foi mal é que esses chipzinhos eram autênticos produtos made in China.
Viram como é difícil, meninas? Nossa campanha tem até uma boa bandeira, mas os chineses tem um preço melhor. Tudo o que eles vendem é baratim. E aí é que está. No mercado, eles são sedutores e imbatíveis. Eu mesma estou resistindo bravamente. Não entrei na Gojureba e nem fui ao Shopping Oi. Juro que não comprei nem um made in China de presente de Natal, mas vou repetir pra vocês, não está sendo fácil. É puro sofrimento.
Sonhos altruístas para todos e um restinho de semana de consumo controlado.
Inté
sábado, dezembro 09, 2006
Papai Noel, você não existe!
No seu lugar, ficaria muito horrorizada com todo este espetáculo bárbaro que somos obrigados a assistir todos os dias, via satélite, ao vivo e à cores, expondo a morte violenta de milhares de homens, mulheres e crianças, nas pequenas e grandes guerras que se espalham como praga pelo mundo inteiro, sem mesmo darmos conta disso.
No seu lugar Papai Noel, ficaria ainda mordida, para não dizer muitíssimo irritada, com os carinhas que não tiram o pé do acelerador nem na entrada de curvas fechadíssimas, como a que estamos agora. Pisam é mais fundo e saem sofregamente empurrando pro lado tudo e todos que estão no meio do seu caminho, derrubando tudo que atravanque sua passagem, detonando todos os limites naturais que impedem seu avanço e ignorando solenemente as conseqüências de seus atos. Tudo em nome do que chamam progresso.
No seu lugar, ficaria também buzina da vida com um carinha em especial, aquele que não assina o Tratado de Kioto nem que um furacão arraste sua casa para o fundo de um abismo. Não que o seu nome tenha poder para conter o aquecimento global, o degelo das placas polares, o avanço dos mares sobre as terras costeiras, os furacões, tornados e vendavais que invadem cidades hoje mega habitadas e provocam estragos monstruosos. Não que esse carinha tenha o dom de conter a desertificação de um continente inteiro, de impedir o crescimento do buraco de ozônio, de reduzir a contaminação do ar e da água e tudo mais. Mas, admitamos, a sua assinatura sinalizaria uma intenção, uma vontade muito forte, por parte de alguém que, efetivamente, se quisesse, se tivesse bom senso, tivesse tino, poderia mesmo fazer tudo isso.
No seu lugar, Papai Noel, ficaria deveras muito fula mesmo com esse carinha em especial, que parece muito poderoso aos olhos do mundo, mas que se submete de forma hiper subserviente, diria até mesmo servilmente, aos financiadores do seu mandato, principalmente o maior deles, a indústria armamentista. Para agradá-los, esse carinha em especial, nos seus seis anos de governo, até então, espalhou a guerra e o terror pelo mundo inteiro e, junto com eles, o medo, o pavor, o horror e a necessidade inescapável das vítimas de sua estratégia eleitoral, de se armar até os dentes para se proteger dos perigos dessa vida. E aí, o carinha em especial, gentilmente, oferece a rodo para o mundo inteiro, em suaves prestações, fuzis M16A2, mísseis sparrows de longo alcance, blindados M60A3, caças F117 night hawk, entre outros armamentos, além, claro, de soldados recrutados mundo afora, principalmente nos países pobres, mas todos muito bem treinados para combater o que quiserem. Qualquer coisa ou coisa nenhuma, pois que não faz a menor diferença.
No seu lugar, ficaria ainda muito desapontada, decepcionada mesmo, com esse bando de marmanjos, que mesmo sem ter o poder do carinha em especial, poderia, sem a menor sombra de dúvida, fazer alguma coisa para subverter o paradigma de progresso a qualquer preço, substituindo-o por um novo modelo de crescimento sustentável, solidário, compassivo. Um progresso que promovesse o bem estar coletivo e não a acumulação selvagem dos 10% , que visa apenas garantir o caviar regado a veuve clicquot dos 2% e os cessninhas citation II dos menos de 1% ou daquelas 10 famílias que estão no topo da pirâmide e assim por diante.
E já que estamos falando tudo mesmo, no seu lugar Papai Noel, sentiria um baita desprezo por essa turma que viajou de classe executiva para a Europa, ficou nos melhores hotéis ou ainda por lá permanece, comendo do bom e do melhor, em troca de alguns poucos minutos de alegria para todos nós, o povão, e me fazem o papelão que fizeram. Nos deixaram todos perplexos, com nossos bonés, camisetas, bandeiras, pandeiros e toda aquela parafernália das grandes torcidas organizadas, com tudo isso nas mãos, sem ter o que celebrar. Nos deixaram boquiabertos, no meio da arquibancada, quando, lá embaixo, no gramado, não viam a bola para chutar, não encontravam o companheiro para fazer uma tabela no capricho, não vislumbravam as traves para nelas mirar e marcar um gol. Nada, nada. Nos deixaram pasmos e assombrados, enfim, quando lá embaixo, no gramado, pareciam não saber o que ali faziam.
Também no seu lugar, ficaria estarrecida, possessa, muguenga de raiva, mesmo sem saber exatamente o que significa muguenga, mas muguenga assim mesmo de raiva, com esse bando de mangonas, que só conseguem olhar para o próprio umbigo, ou melhor, para o próprio bolso, e não alimentam nenhuma sensibilidade histórica para perceberem o seu papel crucial na consolidação da nossa democracia e de uma administração pública mais eficiente e produtiva, que promova a boa aplicação dos recursos públicos para o bem de todos e felicidade geral da nação.
Mas você, Papai Noel, você não! Você não existe! Com sua paciência de bom velhinho, sua generosidade, sua tolerância, sua capacidade invejável de ouvidor, seu espírito compreensivo, sempre disposto a perdoar todas as bobagens que fazemos o ano inteiro, sua sabedoria e compassividade ilimitadas nos faz esquecer de tudo isso. Esquecer e acreditar, piamente, cegamente, fervorosamente de que é possível, de um dia para outro, de uma noite para um dia, zerarmos nossa conta com o todo poderoso e começarmos tudo de novo. Do nada, do princípio outra vez, para ver se agora, quem sabe, vamos conseguir. Quem sabe, vamos acertar. Por isso, Papai Noel, você não existe!
No meio da correria de dezembro, que estamos sempre todos enfurnados, um final de semana de paz e sossego para todos, se ainda for possível.
Buenas e até de repente!
Fundo Musical: Jingle Bell, vocês queriam o quê? (rsrsrsinhos)
domingo, dezembro 03, 2006
No viver tudo cabe
Meninas, o que vamos fazer com mais dois meses e 12 dias de vida? Quero decidir logo sobre isso, porque resolvi encaminhar ao IBGE um requerimento, solicitando a antecipação desses dias para antes do fim. Não vou ficar esperando fazer 75,8 anos, que é a nova média de expectativa de vida das brasileiras, para só então somar mais dois meses e 12 dias de vida, não é mesmo? Quero vivê-los já! Se possível, num feriado prolongado, longe do trabalho, das rotinas de uma cidade grande e da pressão dos relógios digitais.
Quero aproveitar, o quanto antes, esse bônus que ganhamos em 2006. Quero me antecipar, porque vai que não consiga ficar na média das brasileiras! Até então, tenho alcançado, com razoável sucesso, a média de todos os principais indicadores que andam circulando por aí, mas nunca se sabe, não é mesmo? Já dizia Guimarães, viver é muito perigoso. E eu concordo. Mesmo que o IBGE me garanta que a mulher brasileira está vivendo, em média, 7,6 anos a mais do que os homens e que, em Minas, as mulheres vivem até um pouquinho mais que a média brasileira, chegando ao 77,7 anos, quase os 80 do Japão e da Suíça, não vou me iludir. Não vou deixar pra depois.
E olhem só, meninas, tem mais uma coisa. Os excels-boys da Previdência, aqueles que ficam ali na telinha do computador atualizando os cálculos de aposentadoria dos brasileiros, já avisaram: com esse aumento da expectativa de vida, todo mundo, homens e mulheres, terá de trabalhar por mais tempo. Ou seja, quando estivermos chegando perto do fim, vamos ter de ficar mais um pouquinho, trabalhar mais uns dias, para manter o mesmo valor da aposentadoria, entenderam? Simples: se vamos viver mais, receberemos um número maior de parcelas da aposentadoria e, para garantir esse pagamento, teremos de trabalhar mais um pouco, fazer o recolhimento da nossa contribuição e, assim, engordar o saldo de onde resgataremos o nosso sustento futuro. Se futuro houver, né? Se não, ficará pro caixa mesmo.
Então já viram, se deixarmos para depois, não vamos gozar esses dois meses e 12 dias. Vamos continuar no mesmo batidão de todo dia. Com todos aqueles inconvenientes e algumas comodidades, sobre as quais já discutimos. Isso se não estivermos cuidando dos filhinhos de nossos filhos. Hoje 466 mil avós brasileiras já são responsáveis pela educação e cuidado dos netos ou bisnetos. Tá certo que é divertido, né? Pensem bem: não temos de pôr limite nesses meninos, isso é tarefa dos pais. O que nos caberá é só o lado criativo da educação: rir das gracinhas, fazer travessuras junto com eles, passear e outras bobagens mais que crianças adoram. Mas, mesmo sendo gostoso, realmente, não estaremos livres para curtir os dois meses e 12 de dias de bônus a que temos direito.
E aí meninas, o que vamos fazer com esses dias? Pensem! Dêem asas à imaginação! Pensem grande! A mente humana não tem limites! E, como dizia Guimarães outra vez, no viver tudo cabe! Vamos viajar para algum canto do Brasil? Vamos pra fora, antes que nos venham com aquele dinheirinho contado, que teremos de separar em envelopes, para não perder a conta de nossas dívidas? Vamos por a agenda de visitas em dia? Vamos fazer uma excursão? Vamos, vamos?! Já pensaram? Brincadeirinha, pode deixar que eu mesma me incluo fora dessa. Nada de excursão! Então vamos ficar por aqui mesmo, fazendo nada na cidade, enquanto todo mundo tem de correr de um lado pro outro a semana inteira?
Bom, pensem bem meninas, mas não demorem muito. Precisamos decidir isso o quanto antes.
Uma semana curtinha para todos, com mais dois meses e doze dias de folga só para curtir!
Buenas!
quarta-feira, novembro 29, 2006
Melhor tampar o nariz!
bush foi visitar o Iraque. Finalmente me deu ouvidos. Foi pedir aos iraquianos sugestões sobre o que fazer com eles. Mas deu azar. Olha só. Ia para o Iraque e foi parar na Jordânia. Parece que o vírus que atacou os sistema brasileiro de controle de vôos está se espalhando. A turma da torre dos aeroportos americanos também já está meio que perdida, hem? Vôo 3.709 civis mortos apenas no mês de outubro, com destino ao Iraque! bush, que não assina o Tratado de Kioto nem que a mamãe dê beijinhos, levanta as orelhinhas e grita: é o meu!
Entra saltitante e já armando confusão. Briga com Jaap de Hoop pra ficar na janela. Uma bobagem! Jaap de Hoop ia até reagir, mas tinha outros planos. Prometeu fazer um duelo de rap com Snoopy Dog, bem no centro de Bagdá, para acalmar os ânimos. Precisava, portanto, se concentrar muito para não fazer feio. Deixou pra lá e cedeu a janela a bush. júnior não se deu por vencido e resolveu discutir agora com a aeromoça. Fez um papelão só porque não tinha balinhas toffe caramelizadas para distrair durante a decolagem. Esse bush, pelo amor de deus!
Bom, aí, depois de mais de 10 horas de viagem, sendo seis sobrevoando zonas de alta turbulência, o avião pousa. bush desce sonolento e aí vem o susto: ué! Vocês me falaram que a situação aqui estava periclitante e está tudo calmo! Querem me enganar, é? E foi lá se informar no balcão da American Airlines. Foi é armar barraco outra vez, isso sim. Queria furar fila, vê se pode? Mas a recepcionista pôs moral e ele teve de encarar a espera sem chiar.
Depois dos quinze marmanjos que estavam na sua frente, bush finalmente conseguiu falar com uma atendente da Airlines, para descobrir que definitivamente não estava no Iraque. Mas onde estou, então? Que país é este, meu deus? Foi aí que o avisaram que havia pousado na Jordânia. Mas, sabe, ele nem discutiu. Isso parece estranho, não parece? Só que, no fundo, no fundo, ele ficou é agradecido e verdadeiramente aliviado. Pensa bem, o Iraque está uma zona! Era fria, na certa. Baixar no coração de Buhriz ou em plena Nassiriya não ia ser nada divertido.
Depois tem outra coisa. Não seria muito conveniente mesmo descer no Iraque em pleno calor da discussão. Afinal, o que está acontecendo ali? Uma guerra? Mas qual guerra? Uma guerra civil? Um conflito sectário? Uma onda de violência? Um distúrbio social? Um confronto entre facções rivais? A barbárie? Os especialistas e analistas de guerra americanos estão bem confusos. A grande imprensa dos EUA não. Ela tem um jeito simples para resolver questões muito polêmicas. Faz uma enquete junto a seus leitores. E fez. O resultado saiu ontem e ontem mesmo a grande imprensa dos EUA anunciou que, a partir de amanhã, passará a se referir ao conflito como guerra civil. Percebeu a simplicidade?
Bom, aliviado, bush deixou o aeroporto e foi se encontrar com os aliados da força de coalizão, para tentar encontrar uma saída honrosa do Iraque. júnior defendeu o envio de mais tropas ao país e Jaap de Hoop apoiou. Mas fico desconfiada de que Hoop está pensando mesmo é no seu público para o duelo com Snoppy Dog. Os parceiros da coalizão também estão cabreiros e, até prova em contrário, vão ficar em silêncio. Só Tony Barbie manifestou a sua concordância. Mas bush não leva Barbie muito a sério e, por isso, já enviou um e-mail a Condolezza pedindo a convocação de uma reunião do Conselho de Segurança de Guerras e outros Conflitos Armados para discutir o assunto. Orientou-a também a convidar dois especialistas para o encontro: Lula, expert em coalizão sem oposição e o jedi Obi-Owan-Kenobi, que enfrenta qualquer parada. Agora é aguardar.
Desviado e meio do meu caminho, desviado por inteiro. Acho que foi isso que bush pensou, quando descobriu que estava na Jordânia e que seus aliados não estão lá muito entusiasmados de continuar mais uma partida de War Júnior. Aí resolveu mudar de assunto. Pediu aos aliados para enviar tropas ao Afeganistão. Surtei. Quem que entende esse bush? Não era para o Iraque? Bom, mas continuou a prosa e arrematou culpando Al Qaeda pelo que está acontecendo no Iraque. Ah, claro! As tropas do Al Qaeda estão espalhadas pelas ruas do Iraque. Como não vi isso antes? E daqui a pouco bush vai dizer: se não é do Al Qaeda é de Osama Bin Laden. E se não é de nenhum dos dois, então é do cabo Júlio.
Que papo, hem? Enquanto bush perde tempo, discutindo em tese soluções para a guerra que inventou, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e o presidente iraquiano, Jalal Talabani, resolveram juntar seus trapinhos e botar um ponto final nessa bagunça toda. bush não quer nem ouvir falar nessa história. Está se fazendo de surdo e bobo. Mas Jalal e Khamenei estão on line e vibrando com a nova amizade. Como é que isso vai acabar é que não sabemos, não é? Teremos de aguardar mais uma vez.
O meu medo é que, diante dessa situação, não poderemos nem mesmo buscar abrigo na Igreja Globalizada Deixe Jesus em Paz. O controle agora está mesmo nas nossas mãos. Ou esses carinhas resolvem isso por lá mesmo e de uma vez por todas, ou temo que vamos cruzar definitivamente o portal do Inferno de Dante. Deus nos guarde!
E nossos anjinhos da guarda também, que, mais uma vez, fiquem de prontidão e não nos abandonem a nossa própria sombra.
Um belo dia.
domingo, novembro 26, 2006
Mayday, mayday
Não tenho mais medo de avião hoje do que tinha ontem. Mas nem sempre foi assim. O ronco de um avião cruzando o céu era uma senha. Onde estivéssemos, fazendo o que estivéssemos fazendo, tudo era interrompido, para ver o avião passar. Era um fascínio. Eu me lembro que quem primeiro apontasse o dedo, indicando de onde ele iria surgir, podia se gabar da sua esperteza por bons dias, pois não era toda hora que tínhamos a chance de ver, sobrevoando a cidade, um cessninha que fosse e, menos ainda, um boeing 707 ou um caravelle.
Enquanto os aviões não vinham, nos distraímos, às vezes, olhando o vôo dos urubus. O vôo de um urubu é muito parecido com o de um avião. Pelo menos de longe. Com as asas bem abertas, planando numa corrente de ar, fazendo curvas, descendo e subindo, parecem aviões acrobatas. E os urubus rondavam a cidade com muito mais freqüência do que os aviões. Hoje é o contrário. Mas, naquele tempo, e nem tanto tempo faz, eram eles que nos distraiam quando uma brincadeira perdia a graça. Só de vez em quando, muito raramente, os aviões tornavam-se a nossa brincadeira.
Então. Passado o fascínio pelos aviões, veio a indiferença. Ainda olhávamos para cima, mas só para conferir se aquele trambolho não ia cair em cima de nossas cabeças. Não saíamos mais para rua e nem caçávamos no céu aquele estranho pássaro. Alguns ainda preservaram a fissura por aviões, mas só por aqueles de guerra. E declamavam os feitos de cada um deles, na 1ª. e na 2ª. Grande Guerra, como se fosse uma poesia. Mas não eram diferentes daqueles que discutiam o valor de um selo ou dos que trocavam figurinhas de carros ou recitavam a escalação de times que nunca viram jogando. Era só mania ou um jeito esquisito de passar o tempo.
Foi quando nós mesmos tivemos de entrar dentro de um avião, para cortar o céu e sobrevoar a terra de uma cidade a outra, é que o medo começou a nos provocar. Alguns foram definitivamente derrotados e nunca venceram a paura de voar. Até hoje só trafegam em terra firme. Outros, mesmo amedrontados, enfrentaram o desafio e fizeram o seu batismo no ar. Uns poucos realizaram o sonho de criança e fizeram a sua primeira viagem com o nariz grudado no vidro da janelinha para não perder nada. Foi só quando tivemos de entrar dentro de um avião é que começamos a nos questionar como é que aquela geringonça toda, muito mais pesada do que o ar, muito menos flexível do que a asa de um passarinho, poderia se manter nas alturas sem cair sobre nossas cabeças.
Mas com o advento dos relógios digitais, que controlam com absoluta precisão até os segundos dos nossos dias, as viagens de avião começaram a se tornar mais freqüentes. Valia tudo para ganhar mais tempo. Assim como hoje. Não é que perdemos o nosso medo de voar, portanto, mas ficamos aterrorizados só de pensar em perder tempo. E, na hora de avaliar os custos e benefícios, as viagens de avião tornaram-se imbatíveis e, por isso, se banalizaram. Não o nosso medo, que ficou contido, mas nunca foi superado.
E não adianta os fissurados virem me dizer que andar de bicicleta é muito mais perigoso do que de avião. Ou que corremos muito mais risco ficando dentro de casa do que viajando num learjet desses que voam por aí. Segundo esses fanáticos, estatísticas do Departamento de Transportes do governo dos Estados Unidos já comprovaram que os acidentes aeronáuticos foram responsáveis apenas por 0,08% das fatalidades, enquanto acidentes ciclísticos contribuíram com 0,67%, acidentes domésticos com 17,99% e acidentes rodoviários, com 38,70%.
Americano acha que só tem bobo no resto do mundo. Ora bolas, quantas pessoas andam por aí voando num avião e quantas ficam por aqui em terra firme? Qual impacto é mais intenso: o de uma batida entre duas bicicletas, a 40 km por hora, se muito, ou entre dois carros, a 120 km por hora? E quantas pessoas ficam só em casa, porque nem tem para onde ir? Tenham paciência, né?
Também não me esqueci das tempestades solares e das bolhas ionosféricas. Sei muito bem que estamos entrando num período de atividades solares intensas. E mais, que o Brasil, pra mal dos nossos pecados, encontra-se exatamente numa das raras regiões do planeta onde ocorre o fenômeno das bolhas ionosféricas. Também sei que as tempestades solares interferem fortemente nos sistemas de comunicação, como aqueles utilizados pelos aviões. Sei ainda que os efeitos das bolhas ionosféricas sobre as telecomunicações e, principalmente em sistemas de posicionamentos, como os de um GPS, ocorrem em diversos graus de intensidade, dependendo de quanto o sistema está ou não preparado para resolver o problema da interferência. Se vocês se esqueceram disso, eu ainda me lembro.
O nosso medo, portanto, é muito justificado. E não vai ficar maior só porque a Aeronáutica resolveu agora, só agora, divulgar que, entre 1988 e julho deste ano, foram registrados no Brasil 796 casos confirmados de quase-colisões entre aviões. Isso não nos assusta mais do que os próprios aviões. O nosso medo é antigo e o mesmo de sempre: medonho. Mas, para superar o tempo, vamos continuar voando, como provam todos aqueles que estão pernoitando nos aeroportos, a espera da chegada de uma aeronave e do anúncio do próximo vôo. A todos, boa viagem e boa sorte.
Agora, como já é tarde, vamos nos recolher nas asas de morfeu e, se for possível, ter apenas bons sonhos.
Durmam com os anjinhos.
Voei.
quinta-feira, novembro 23, 2006
Conversa fiada
Eu entendo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Também acho que têm conversas que é melhor não tê-las. Não que nunca, mas talvez só no momento certo. Têm conversas que são até boas, mas mesmo assim, não convém. Outras, nem tanto. Melhor evitá-las. E dos pescopapos, temos de fugir deles. Passo léguas de distância.
Têm conversas que é melhor mesmo não tê-las, porque não levam a nada. Vocês já tentaram conversar com um adolescente em crise? É bobagem puríssima. Não adianta falar que ele é lindo, forte, inteligente, engraçado, que todo mundo é doido com ele, que a vida é bela, que tudo passa, que em terra firme nada é definitivo, que o céu é azul e que o melhor de tudo é que depois de um dia, vem outro dia. Besteira.
Adolescente em crise acha que o mundo desabou, que o chão escapou, que o abismo é fundo e que no fundo do fundo tem outro fundo que não tem fundo. Nessas horas, melhor do que conversar é fazer um brigadeiro bem cremoso e deixar encima da mesa, assim meio que esquecido. É deixar o cd, que ele adora, tocando no som e ainda comentar, distraidamente, que essa é a música. É assistir, ao lado dele, bem agarradinha, o último jogo de futebol de não sei quem contra quem e comentar furiosamente todas as bobagens que o juiz fizer. Só isso e não mais que isso, pois todo o resto é em vão.
Só quando tudo passa, o tudo que não é nada, é que dá pra voltar a conversar. Aí vale o que vier. Vale até conversa afiada. E, melhor que isso, bem melhor, depois que o tudo passa, é jogar conversa fora. Parece que também não levam a nada, mas é ledo engano. Dois dedos de prosa sobre nada e, de repente, percebemos que já não vemos mais o mundo como o víamos antes. São palavras ao vento, mas no bom sentido, pois são capazes até de mudar o rumo de uma história. Mas hoje são raras. Ninguém gasta tempo com conversa fiada, um assunto puxando outro, um caso emendando em mais um e outro mais, como se tecêssemos uma grande história. Nem rola. Ninguém mais joga conversa fora.
Fernando Henrique não joga e eu entendo. Pode até falar sozinho, falar até pelos cotovelos, atabalhoadamente. Mas se é uma conversa, é preciso dois. No mínimo. É preciso então saber quem está a conversar com quem. Cada um tem que ser cada um. E aí é que está. Qual PSDB vai conversar com Lula? Qual Lula vai se apresentar? E onde vão conversar? Atrás de portas fechadas? A luz de velas acesas? Outra vez Fernando Henrique tem razão. É melhor conversar com o povo, de quem se distanciaram tanto, se é que já estiveram próximos um dia. É melhor conversar à luz do sol, no meio da rua, sob os holofotes do Plenário. Um de frente pro outro, um olhando olho no olho do outro. E mais, se é mesmo pra conversar, tem que ter o que conversar. De abobrinha, basta a que já nos fartamos durante as eleições, não é não?
Um restinho de semana com muita conversa fiada no ar.
Até mais ver
domingo, novembro 19, 2006
As dores do crescimento
Meninas, me errem em 2007. Não me esqueçam, mas me errem quando forem olhar as vitrines. Nem me chamem quando forem à Lysia, mesmo que seja só para ver as novidades. Conheço esse refrão. Cinema em shopping? Piorou. Não vou. Pode até ser o lançamento do último filme de Almodovar ou de um blockbuster da vida. Anjos e Demônios! Não vou. Se quiserem a minha companhia, podem me convidar para um festival de cinema iraniano, de clássicos do cinema mudo ou de uma série ouro da produção indiana. Qualquer coisa do tipo, mas que seja no cineclube Savassi. Lá mesmo, naquelas cadeiras duras, onde você não vê, mas pescoça um filme. Aí, podem contar comigo, eu vou. Mas em shopping, desistam.
Outra coisa. Cafezinho na Savassi, no sábado pela manhã, nem com creme nem sem creme. Não vou cair na tentação. Conheço minhas fraquezas. Hoje passei por lá e não ia parar. Mas parei e entrei na Quixote. Resultado: saí com um exemplar da edição especial do Grande Sertão: Veredas e com o último livro de Douglas Adams e um de John Grisham, esses para os meninos. Em 2007, não vou cair nessa armadilha. Também não vou embarcar naquela conversa mole, de dar só uma entradinha naquela lojinha que tem ali na esquina, que está com os preços ótimos. Ótimos para qualquer pessoa, menos para mim. Em 2007, vou ser radical. Caminhar na Savassi, só no domingo pela manhã, antes das 10 horas. E levando uma garrafinha d´água a tiracolo.
Compras no supermercado? Também vou reduzir. Ficarão restritas a uma vez por mês. Estarão suspensas as idas diárias ao Super Nosso para comprar pão, verduras ou um lanche para noite. Sei como termina essa história. O carrinho sempre sai carregado de outros itens que vi por acaso e achei que seriam necessários em algum dia da semana. Pão em 2007, só na padaria. Mesmo saindo mais caro. Meninas, vocês repararam que, depois dessa invenção de só vender pão a quilo, o pãozinho francês teve uma aumento de 100%? Fiz as contas ontem. O paõzinho que comprava a R$ 0,15 passou para R$ 0,30 e ficou ainda menor. Mas não tem importância. Na padaria só compro pão e isso já é uma economia. Da mesma forma, frutas e legumes, só vou comprar no sacolão. Nem em caso de emergência vou entrar num supermercado.
Outra coisa, táxi estará definitivamente proibido. Só em casos extremos. Se os meninos quiserem circular no final de semana, vou ter de usar o mercedão. Vou até comprar uma cartão de vale-transporte para os dois, mas dinheiro para táxi, esqueçam. Não. Eu não estou com medo de 2007. Pelo contrário. Estou apostando em 2007. E é por isso que vou cortar na carne. Subtrair até a última gota os gastos correntes e gerar uma poupança para investir. Vou fazer a minha parte. Sabemos muito bem, quando estamos educando nossos meninos, que não adianta ficarmos só falando: tem de fazer isso, não pode fazer aquilo, faça desse jeito e assim por diante. É inócuo. Temos de dar o exemplo. E é isso que vou fazer em 2007.
O Brasil precisa crescer, não precisa? Pelo menos, todo mundo está dizendo que sim. Eu até tenho minhas dúvidas, se não sobre o crescimento, pelo menos, sobre o como. Mas o que penso agora não vem ao caso. O que importa é que, para crescer, o governo precisará cortar gastos correntes e liberar recursos para investimento. Mas, parece, está confuso sobre como fazer isso. Então vou dar o exemplo. Vou fazer a minha parte e esperar para ver o espetáculo que está sendo anunciado, de um crescimento de 5% ao ano. Será que eles vão prestar atenção?
Também estão confusos sobre onde investir. Não tem problema, dou o exemplo outra vez. Não vou aplicar os recursos que economizar no mercado financeiro. Claro que não, ficaram doidas meninas? Vou investir no setor produtivo. Gerar empregos, renda e riquezas. Vou investir no setor da construção civil, que tem um poder multiplicador fantástico. Tinha até pensado de fazer um puxadinho no quintal, para abrigar os livros que estão ficando empilhados no chão do escritório. Num cantinho, ainda poderia instalar a tevê e o som e, no outro, uma mesa de ping-pong ou de totó. Mas abandonei os planos. Vai que os meninos se entusiasmem e gostem da idéia. Vão me deixar num beco sem saída. Além do mais, agora já tenho outros projetos. Vou é construir muros. Ainda não sei bem onde, mas vou, porque ouvi dizer que é super in construir muros, e não vou ficar de fora dessa, não é mesmo?
Então, o bush, aquele que não assina o tratado de Kioto e ainda bate pezinhos, já anunciou que vai construir um muro entre as fronteiras dos Estados Unidos e México. É uma bobagem, porque o México já está dentro dos Estados Unidos faz séculos. E vice-versa. Os Estados Unidos está dentro do México desde o início da sua história. Mas já entendi o que bush pretende com seus planos. Depois de um mandato ganhando rodos de dinheiro vendendo armas para o mundo todo e promovendo a destruição em massa pelo planeta, agora chegou a hora de buscar novas fontes de renda. Chegou a hora de dar uma canja para a indústria americana da construção civil. bush vai promover uma nova onda de crescimento, reconstruindo tudo que destruiu no seu primeiro mandato. O muro será apenas um treino para os contrutores.
Mas não é só bush que tem planos concretos. O príncipe Nayef, ministro de Interior da Arábia Saudita, já anunciou que vai também construir um muro ao longo dos 900 km da fronteira do seu país com o Iraque. A obra incluirá a instalação de guaritas militares e equipamentos de vigilância, somando um investimento de US$ 12 bilhões. A turma da construção civil nos Estados Unidos já está dando até gritinhos de satisfação. Vai disputar tijolo por tijolo dos quase 2 mil quilômetros de muros que serão construídos até o final de 2010. É o mundo globalizado fechando as porteiras. Êita!
Mas, então. Vou construir muros também. Talvez no quintal ou no jardim. Vou licitar uma obra para construção de labirintos domésticos. De repente, vira até uma obra de arte, hem? Só espero que Lula tenha um pouco mais de imaginação do que eu, que só faço seguir a moda. Além do mais, o Brasil já é todo cortado por muros virtuais. Espero que Lula seja mais criativo e invista na construção pesada. Invista, por exemplo, na construção de pontes, unindo esses brasis que estão isolados por aí. É uma idéia. Posso até pensar sobre ela também. Ao invés de labirintos, posso construir pontes no meu quintal. Quem sabe? Enfim, de um jeito ou de outro, vou fazer a minha parte. Espero que eles prestem atenção e também façam a sua parte.
Um restinho de domingo sem sorvete, sem trufas ao rum, sem pipoca nem guaraná. Ficou muito triste, né? Vou ponderar.
Um restinho de domingo cheio de novos planos e um cafézinho fresco, acompanhado de pão de queijo e broinha, para todos. Afinal, é só um lanchinho, né? Não vai fazer diferença no final do mês.
E buenos dias a friente tambien.
Hasta.
quarta-feira, novembro 15, 2006
À Nossa Senhora das Boas Práticas
- Pode fazer um pedido.
- Huuummmm! – pensou Chavez. Já sei! Quero que você construa uma ponte ligando Venezuela a Cuba!
- Huuummm! – pensou o Gênio. É impossível! É muito difícil!
- É o que eu quero e com quatro pistas! – insistiu Chavez.
- Não vai rolar – encerrou o gênio. Pede outra.
- Huummm! Está bem. Então lá vai. Quero entender a minha mulher.
- Huuummm! Está bem. Com seis pistas!
Não fui eu que inventei essa historinha. Foi um amigo que nos contou hoje, durante o almoço. Tudo bem. Reconheço. Tem dias que é muito difícil mesmo entender o que se passa na cabeça de uma mulher. Somos um pouco assim mesmo. Complexas e caóticas. Mais caóticas que complexas. Mas tem dias, não todos. Na maior parte do tempo, somos muito práticas. Querem ver?
Semana passada estava atolada no trabalho. Mas nem estava desesperada. Estava lá, fazendo cada coisa de uma vez, com convém. Terminou o dia, fui buscar os meninos na escola. Para não parar em fila tripla, dei a volta no quarteirão e estacionei numa esquina, em frente a uma padaria e um sacolão, numa rua bem movimentada. Me ausentei por poucos minutos e, quando voltei, adivinhem! Não, não. O carro continuava lá. Mas, sem as placas. Levaram as duas. Conheço um menino, que anda aqui pelo bairro, que fala que ninguém gosta de ser tirado. E isso é a pura verdade.
Quando vi meu carro pelado, subiu uma revolta não sei de onde que quase, aí sim, me desesperei. Mas ainda não. Fiquei só atônita. Parada e sem saber o que fazer. Na rua, ninguém viu nada. Eu não via nada também. Nem um guarda. Sem ter mais o que fazer ali, entramos no carro e partimos para mais uma nova aventura. Atravessar a cidade, sem ser notados. E conseguimos.
Cheguei em casa e, imediatamente, fui comunicar o fato à quem de direito: a polícia. Fui super bem atendida. A moça que me ouvia do outro lado da linha até me confortava:
- Ainda bem que não levaram o carro, né?
Eu concordei. Ela tinha razão. Depois me orientou a formalizar a queixa, pessoalmente, no Departamento de Investigação. Claro, também estavam querendo o quê? Denúncia virtual? E a prova material do crime? Só que aí veio a dúvida. Como vou até lá, com um carro sem placas? E se a polícia me parar no meio da rua? Até explicar tudo direitinho, vai ser um sufoco bem desagradável! E se eu perder a paciência? E se a polícia perder a paciência? Enquanto tentava resolver essa questão complexa, tocou a campainha. Era a polícia. Vieram, eles, pessoalmente, formalizar minha queixa. Levei até um susto. Passei todos os dados, relatei em detalhes, os poucos que tinha, tudo o que havia acontecido e o policial, muito educado encerrou o BO. Se despediu e disse:
- Amanhã, até 9 horas, a senhora deve ir ao Posto Policial buscar a cópia deste Boletim. Até as 9 horas, hem? E, agora, a senhora deve ir ao Detran formalizar a queixa.
Pensei que já estava formalizada. Mas concordei. Ele tinha razão. Afinal era o roubo de uma placa de carro. Ninguém vai imaginar que fizeram isso para resolver o problema da fome no Brasil, né? Quem roubou essas placas não tem planos solidários na cabeça. Vão usá-las para fazer alguma confusão. Imediatamente, chamei um táxi, não ia me aventurar novamente nas ruas com um carro sem identidade. Cheguei no Detran em poucos minutos e apresentei meus documentos.
- Quero dar uma queixa do roubo das placas do meu carro. Foi agora mesmo.
O rapaz que me atendeu foi super educado. Anotou tudo e perguntou se tinha mais alguma coisa a declarar.
- Ah sim. Já fiz o BO. O número do boletim é tal.
- Mas como? Se a senhora já fez o registro da ocorrência, porque está fazendo outra vez?
- Porque me mandaram – respondi.
- Mas não precisa – respondeu ele. Duas ocorrências sobre o mesmo fato? Qual a lógica disso?
- Sei lá, uai. Foi essa a orientação que recebi.
- Pode ir embora – despediu-se o rapaz, agora secamente.
Voltei pra casa. No dia seguinte, levantei cedo para buscar a cópia do Boletim e levá-la ao Detran para reemplacar o carro. Claro, desci de carro, para não perder a hora. E, admito, também para viver mais alguns minutos perigosamente. Estacionei ao lado do posto policial e entrei. Fui super bem recebida. Agiram com rapidez e simplicidade. Nada de burocracia. Saí feliz e me sentindo até bem protegida, com três cópias do BO nas mãos, para não ter dúvidas.
Quando cheguei perto do carro, dois policiais rondavam o meu possante. Fingi que não os vi e abri a porta do carro. Já ia entrando, quando um deles me chamou:
- Ei, você!
- Eu?
- Isso mesmo. A senhora é a proprietária desse carro?
- Sou.
- A senhora já percebeu que ele está sem as placas.
Perceberam vocês? É claro que ele já estava pensando que eu estava naqueles dias caóticos, em que nos tornamos incapazes de dar conta do que se passa debaixo do nosso nariz. Mas não perdi a paciência. Pelo contrário, foi como um alerta para que me tornasse mais paciente ainda.
- Justamente – respondi. Foi exatamente isso que vim fazer aqui, formalizar a minha denúncia do roubo das placas do carro e buscar as cópias do BO.
- A senhora já fez o registro da ocorrência?
- Foi a primeira coisa que fiz. Até antes de servir o lanche aos meus filhos, ainda ontem à noite.
- A senhora tem o BO?
- Exatamente. Foi isso que vim buscar.
O policial, educamente, pegou o papel das minhas mãos e pôs-se a ler. Por alguns minutos ficou assim, de cabeça baixa, lendo linha por linha do Boletim de Ocorrência. Depois, dobrou o papel cuidadosamente, me devolveu e disse:
- Agora a senhora deve ir ao Detran e providenciar o reemplacamento do carro. O quanto antes. A senhora sabe, a rua anda cheia de marginais, né? Até pensei que esse carro sem placa, aqui no meio da rua, era de um deles! A senhora me desculpa. Não deixe para depois.
Não deixe para depois. Essas palavras ficaram retumbando na minha cabeça.
- Mas por que não posso deixar para depois? – eu pensei.
Sentiram o vacilo? É exatamente assim que começa. Do momento em que percebi o roubo das placas até aquele instante, agia de forma prática e objetiva. Sem desespero algum. Mas aquelas palavras, me desconcertaram, confesso. Não deixe para depois. Por que não? Por que? Estava com três cópias do BO nas mãos, com toda a documentação do carro em dia, com uma agenda apertada de compromissos. Porque deveria largar pra trás todos os meus compromissos e ir rapidamente e direto ao Detran? Por que, ao invés de correrem atrás de mim, não iriam eles, os policiais, correr, isso sim, atrás do clone do meu carro que deve estar andando por aí?
Mas, como vocês, também percebi que estava começando a entrar numa zona caótica: povoada de dúvidas e interrogações.
- Não. Não vou embarcar nessa – disse a mim mesma.
Também não vou deixar que me confundam toda com essa história: agora faça isso! Não, não, faça aquilo! E faça mais isso. E vá ali. Não, vá naquele outro lugar! Podem parar! Não vou deixar me contaminar pela complexidade da vida é de jeito nenhum!
Entrei no carro, me aventurei novamente nas ruas e fui trabalhar. Cheguei calma, com tudo sob controle e, inspirada por Nossa Senhora das Boas Práticas, identifiquei um despachante, passei os documentos do carro, a cópia do BO, as chaves e o carro para o rapaz e disse, agora sim, já quase à beira do desespero:
- Pronto. Agora é só o senhor ligar o carro ir até o Detran resolver isso pra mim, de qualquer jeito. E sem relatos. Não quero saber de nenhum dos detalhes da trabalheira toda que o senhor terá pela frente. Só vá e faça, por favor. O mais rápido possível, porque ao meio dia tenho de pegar os meninos em casa e levá-los à escola. Faça assim, então, pelo amor de deus!, e sem detalhes.
O despachante olhou para mim consternado e disse:
- Não se preocupe, minha senhora, esse é o meu serviço. Ao meio dia estarei de volta.
E assim fez. Viram como somos capazes de ser bem práticas também? É claro que tudo poderia ter sido bem diferente. Poderia ter sido uma história bem mais complexa e caótica, mas não era o dia. É assim que somos.
Uma boa noite a todos e um resto de semana só de boas práticas
domingo, novembro 12, 2006
Uma verdade impertinente
Vou dizer uma coisa pra vocês. No substantivo, Al Gore concorda comigo. Ele não acha que bush seja um idiota, é apenas um homem com grandes idéias idiotas. Ele falou isso ao editor da revista The New Yorker, o jornalista David Remnick, em uma das entrevistas publicadas no livro Dentro da Floresta, da Companhia das Letras. Como vêem, a nossa discordância é apenas de classe gramatical. No que é essencial, concordamos e, pra mim, isso basta.
Acho que não só para mim. Também para Al Gore e boa parte do mundo e, agora, para mais de 50% dos americanos. Finalmente. Não sei se muda muita coisa, pois lá também o Congresso não anda com essa bola toda, mas, pelo menos é um sinal de alerta para os marqueteiros de bush. E eles, parece, ouviram o recado das urnas e já admitem que a neocanoa está dando água. Os colegas de trabalho de bush, idem, idem. O secretário da Defesa, o diabólico Donald Rumsfeld, por exemplo, pediu demissão assim que saíram os resultados da eleição.
bush se sentiu tão desamparado, que agora está pedindo à oposição sugestões para o Iraque. Agora, né? Depois da morte de quase 3 mil americanos e mais de 50 mil iraquianos, né? Tô entendendo. Depois da lambança que fez por lá, bush quer que alguém lhe dê sugestões para uma saída honrosa. Por que não pergunta aos iraquianos, uai? Quem sabem eles têm alguma boa idéia. Uma saída à francesa, por exemplo? Ou uma saída em fila indiana, um por um se desculpando e entrando no avião de volta pra casa? Poderia ser se houvesse uma saída. Mas não tem saída. bush se meteu numa grande encrenca e só sairá de lá corrido, como no Vietnan.
A tragédia da Guerra no Iraque já tem números suficientes para dar a dimensão do desastre. 53 mil mortos. Não é pouca gente, mas tem quem ache que esses números ainda não dizem tudo. A revista médica britância, The Lancet, estima, entre os civis, quase 650 mil mortos, desde a invasão do país. É o equivalente a 2,5% da população do Iraque. As autoridades dos Estados Unidos e do próprio Iraque contestam esse número. É claro, só reconhecem aqueles da sua própria contabilidade. Tudo bem, que seja 50 mil, já é uma boa estatística para meter medo em bush. Eu ficaria. Por mais ou menos isso, Saddam Husseim foi condenado à forca.
Mas não é só a guerra do Iraque que derrotou o projeto dos republicanos. A atuação de bush, aquele que não assinou o Tratado de Kioto, desagradou oito entre 10 eleitores ouvidos nas pesquisas de boca-de-urna. Quase uma unanimidade. No mundo já é, pra desgosto de Nelson Rodrigues, que vê derrubada uma de suas teses mais populares, a que diz que toda unanimidade é burra. Até concordo com ele, mas toda regra tem uma exceção e bush é uma delas. Talvez, até porque não conhecia essa máxima de Nelson Rodrigues. Desde que se instalou na Casa Branca, vem tentando implantar o projeto da maioria permanente, essa sim, uma unanimidade burra, principalmente numa das maiores democracias do planeta e a que serviu de referência para todos nós, até pouco tempo atrás.
Mas tem gente que não muda nunca. bush, por exemplo. Al Gore, que se tornou para sempre, aquele que deveria ser o próximo presidente dos Estados Unidos, não concorda comigo, porque, nesse ponto, se parece muito com bush. Os dois são cabeça dura. Com uma diferença, bush não está nem aí para as questões ambientais que põem em risco a sobrevivência do nosso planeta. Em Nairóbi, voltou a afirmar que não assina o Protocolo de Kioto. Continua batendo pezinho. Al Gore, mesmo admitindo que seria difícil pra ele também assinar o Protocolo, caso tivesse levado a vitória que obteve nas urnas, hoje lidera um movimento para conscientizar o mundo da emergência deste tema. Al Gore, que esteve recentemente no Brasil, lançando o seu documentário Uma verdade inconveniente, onde denuncia o terror do aquecimento global, garante ainda que os Estados Unidos vai mudar sua política ambiental, seja quem for o vitorioso nas eleições de 2008.
Penso que isso pode acontecer mesmo. Não por pressão do novo Congresso ou dos democratas, mas pelo movimento da própria sociedade americana. A Califórnia, maior Estado americano, já aderiu a Kioto.Trezentas e dezenove cidades americanas e mais lideranças conservadoras e religiosas, da mesma forma, já abraçaram Kyoto. Então, a mudança é só uma questão de tempo, se é que a democracia americana ainda tem fôlego para funcionar mais algumas temporadas.
E, por aqui, se fosse Lula, ficava esperto também. Em Nairóbi, o Brasil ganhou o prêmio Fóssil do Dia, que é concedido pela rede de ongs Climate Action Network aos países que mais tentam atravancar as negociações do novo acordo internacional, que substituirá o protocolo de Kioto, a partir de 2012. Achei injusto. O Brasil pode ter até pisado na bola, mas, se fez isso, foi sem querer. Pior que nós, são eles. E aí acho que bush mereceria essa honraria com muito mais razão. Mas, seja como for, o Brasil foi premiado e Lula, doravante, deveria andar com mais cuidado quando fosse tratar das questões ambientais, se não quiser virar também uma unanimidade nacional.
Um restinho de domingo em amenas divergências
Inté.
sexta-feira, novembro 03, 2006
Tragam as chaves do cofre!
Ó céus, a China é desproporcional mesmo! Agora está desorientada porque não sabe o que fazer com suas reservas, no valor de US$ 1 trilhão!. Vou escrever de novo, com letrinhas, para não deixar dúvidas: um trilhão de dólares!. Esse é o dinheiro que ela está juntando no cofrinho e que equivale, mais ou menos, ao tanto que ela ganha com a venda de seus produtos no supermercado mundial, menos o que ela gasta comprando matérias primas e maquinários para fazer esses produtos e mais a fábula de investimento que ela vem atraindo do mundo todo. Sacaram? Ela juntou essa grana boa em menos de dez anos e, desde o início de 2006, suas reservas têm aumentado a uma média de quase US$ 20 bilhões por mês.
Querem saber o que isso significa? US$ 20 bilhões é mais ou menos a metade de todo o superávit comercial que o Brasil deverá ter neste ano, segundo a Folha de São Paulo. Dimensionaram o tamanho do problema que a China pôs no cofre? Um trilhão de dólares equivale a 40% do seu próprio PIB, o que é muito, segundo os analistas econômicos. Mas é mais, muuuuito mais do que o PIB de boa parte do mundo todo e mais também, muuuuito mais, do que as reservas de qualquer país no planeta. É um super-hiper-mega fenômeno. Só que agora a China não sabe o que fazer com essa montanha de dinheiro. É o que eu digo, esse negócio de crescer desembestadamente é um problema.
E as autoridades chinesas concordam comigo. Elas já estão até tentando diminuir o ritmo de crescimento, só que não é fácil. É como parar um carro que vem a toda, a 200 km por hora. Não breca de jeito nenhum. Vai deslizando um pedaço de chão, se não encontrar um boi na pista ou qualquer outro obstáculo. E a China vai deslizar muito, se não ficar esperta. Por isso, com um trilhão de dólares na caixinha, eu não teria dúvida, começaria a distribuir já. O que qui custa?
A China tá apinhada de famílias carentes, não seria preciso nem exportar reservas para atender os pobres do mundo. Bastava vender dólares no mercado interno, captar yuans e dividí-los com o resto da população. Tudo bem, não precisa distribuir, vamos supor, três saquinhos de moeda por família, mesmo porque, já pensaram o tamanho da fila? Mas poderiam reverter esses dólares em obras e outras políticas sociais que beneficiassem essa população, sem obrigá-la a ter de sair do campo para cidade, como fizemos aqui, em busca de melhores oportunidades de vida. Nós acabamos na favela. O que de mais grave poderá acontecer com as megacidades chinesas?
Eu fico preocupada. Fico de verdade, sabem porque? Porque se a China se desorientar no mesmo grau e ritmo com que acumulou essa graninha, vai pirar o resto do mundo e mais um pouco e nós juntos. Por favor, nos incluam fora deste barco. Acho até que deveríamos dar uma mãozinha aos chineses, para ajudá-los a resolver esse problemão em que se meteram. Não vou mendigar dólar de ninguém, mas acho que deveríamos iniciar um movimento mundial de boicote aos produtos chineses. Que dó, hem? Os produtos chineses são tão baratins!
Mas olha só, a China já é o segundo maior país poluidor do mundo, só perde para os Estados Unidos. Se ficássemos por aí, já teríamos uma boa causa. Mas tem mais. A sua mão de obra é a mais mal paga do planeta. Ela trabalha em regime de escravidão e não é beneficiada com nenhuma política de assistência do Estado. Ela não tem nem previdência social. Segunda boa razão para boicotarmos os made in china. E tem mais: trabalho infantil, perseguição às crianças e desrespeito aos direitos humanos. Esses seriam alguns tópicos, entre outros, que poderiam constar de um manifesto de apoio ao Movimento Internacional de Boicote aos Produtos Chineses (MIBPOC). É uma idéia e desconfio que eles até iriam nos agradecer, considerando o sufoco que estão passando com o cofre cuspindo dólares pelo ladrão.
Agora tive mais uma idéia. E nem estou na beira do mar, mas os pensamentos estão vindo em ondas. Olha só, não é que o Brasil esteja passando por um problema semelhante ao da China. Quem nos dera, hem? Mas US$ 80 bilhões de dólares de reservas também não é pouca coisa para uma economia como a do Brasil. Não é uma fortuna, mas se pegássemos um pouquinho mais de 10% dessa nossa poupança, uns US$ 15 bilhões, para investir em obras de infra-estrutura já daria um bom agito na economia, sem comprometer os seus fundamentos. Ou não?
Ufa, cansei de fazer conta. Agora vou arrumar gavetas, que ninguém é de ferro.
Um fim de semana sem direito a fast food chinês.
Vamos variar, não é não? Que tal um lombo com tropeiro em Ouro Preto? Nós todos merecemos!
Até de repente!





