sábado, outubro 29, 2005

Ilustres desconhecidos

Lá vem chumbo grosso. Acho que agora vão é apedrejar a minha barraca de uma vez por todas. Ui,ui,ui. E olhem, esse nem é um assunto que está liberado na minha pracinha da internet, hem? Mas não sei o que dá nos meus dois neurônios que, de repente, eles ficam inquietos e desandam a fazer sinapses descontroladas, como dois rebeldes anarquistas. Aí, para acalmá-los, não tenho outro remédio, O jeito é sentar e espancar o teclado, para por as idéias em ordem.

Olhem bem pra vocês verem. Estava distraída, ouvindo o CBN Brasil e acompanhando a votação do parecer de cassação do Zé Dirceu, no Conselho de Ética. Isso foi ontem mesmo. Aí me veio a idéia de escrever um poema dadaísta para ele. É muito simples escrever esses poemas, não depende de inspiração e nem de talento, só de uma forte intuição e pura sorte. Aprendi isso com Tristan Tzara, um dos líderes do dadaismo na França dos anos 20.

Num de seus manifestos, ele deu uma receitinha básica de como fazer esses poemas e eu vou passar pra frente. Basta ter um jornal e uma tesoura. Aí você recorta algumas palavras da notícia que te inspirou. Mistura tudo numa caixinha e depois vai sorteando palavra por palavra do seu poema. Vai montando os versos na ordem em que as palavras são retiradas da caixa. Essa é a única regra. Não sei se deu para entender, mas posso voltar a esse assunto outro dia.

O que interessa aqui é que o dadaísmo é o movimento que melhor expressa o momento que vivemos hoje. O Dadá, como explicou um dos estudiosos dessa escola, é o dilúvio após o que tudo recomeça. Não é igualzinho o que estamos passando hoje? Acho que Zé Dirceu ia gostar.

Bom, mas aí eu estava lá distraída pensando nisso. De repente, entrou o repórter CBN entrevistando outros políticos sobre outra notícia que já rolava nos corredores do Congresso. Era sobre a possível cassação do senador do PSDB mineiro, Eduardo Azeredo. Prestaram atenção na coincidência? Uma peça de lá, outra de cá, como num jogo de xadrez. Vocês já acompanharam ou jogaram uma partida de xadrez? É assim mesmo. Como o jogador pensa 8, 10 jogadas para frente quando vai fazer um movimento, muitas vezes, ele aceita sacrificar uma peça agora, já pensando no andamento do jogo lá na frente. E, seu adverário, do mesmo jeito.

E é exatamente isso o que os partidos estão fazendo agora. Ele estão escolhendo as peças que vão para o sacrifício, que serão trocadas, como os enxadristas dizem, mas já pensando no futuro, nas eleições do ano que vem. E o jogo continua, sem nenhuma alteração nas regras. Acho que era isso que estava aborrecendo os meus neurônios. Era isso que eles estavam soprando pra mim: e a reforma política? E a reforma do sistema eleitoral? Como é que é? Vamos iniciar uma nova partida sem mudar o regulamento do jogo?

Inspirada no dadaísmo, fiquei aqui pensando na terrinha. Se cai Eduardo Azeredo, como ficaremos representados no Senado? Tcham nam! Eis a escalação: Aelton Freitas, natural de Iturama e membro do PL mineiro. Fora os eleitores dele, alguém conhece? Wellington Salgado de Freitas, natural do Rio de Janeiro. Por acaso, senador e, por acidente da lei, do PMDB mineiro. Tirando os eleitores dele, alguém conhece? E, como suplente de Azeredo, Luiz Guaritá Neto. Quem? Sei lá, Guaritá Neto.

Vamos ficar igual o Atlético mineiro, com uma equipe de ilustres desconhecidos. Olhem só, tudo bem, o Conselho de Ética tem mais é de investigar aqueles parlamentares que quebram o decoro parlamentar. Se a quebra fere também as leis, a justiça tem de investigar também. Mas como hoje todos os processos estão tramitando motivados apenas por interesses políticos, queria lembrar que Azeredo chegou onde está pelo voto de 4 milhões 157 mil 721 eleitores. Tem grandes chances do meu voto estar aí, no meio desses milhões. Não me lembro mais. E não sei também quantos votos Zé Dirceu teve.

Pero djo estoy piensando aqui, que se alguém tem o direito de cassar o mandato desses parlamentares somos nós, que os elegemos para nos representar. O mandato de cada um deles nos pertence. Quero o recall já! Se ninguém nos ouve mesmo. Se tudo continua como sempre esteve, vamos radicalizar geral. Vou sugerir às entidades que baixem aqui no nosso quintal e iniciem, imediatamente, um movimento para apresentação de um projeto de iniciativa popular pela inclusão do recall na nossa legislação eleitoral. Quero votar de novo! E agora! Que nem nos Estados Unidos, na Suiça e na Rússia. Falei.

Ufa, acho que agora minha dupla de neurônios vai dar sossego. É só os dois não começarem a cantar Chalana para relaxar, tudo bem...

Um ventinho de chuva e um soninho bom, com os anjinhos, para todos vocês.

E hasta la vista, num belo día!

quarta-feira, outubro 26, 2005

Cara Policena Barbosa

Vou começar do princípio. Estou pedestre desde o último sábado. Não há nada de ruim nisso, pelo contrário, adoro andar a pé. Ontem, por exemplo, saí de Lourdes e fui andando até o Colégio Santo Antônio. Desci e subi Antônio Aleixo, atravessei a Praça da Liberdade e desci Santa Rita Durão em pouco mais de 20 minutos. É verdade que imaginei um passeio bem mais agradável. Fiquei decepcionada com as ruas desertas de gente e entupidas de carros, buzinas, motoristas impacientes e poluição. Fiquei um pouco estressada também com os três ou quatro gatos pingados que encontrei no meio caminho, temendo que fossem pivetes. Mas nenhum deles tentou me assaltar. Olhei bem dentro dos olhos de cada um deles, sem medo, mas sem nenhuma ameaça também. Olhei acolhendo, como quem reconhece o outro e eles foram embora sem me incomodar. Vai ver nem me viram.

Mas, então. Estou pedestre porque decidimos trocar o carro. Nem estava podendo muito não, mas era trocar ou gastar quase a mesma coisa numa revisão geral, com peças originais. Então fizemos a escolha que consideramos mais vantajosa. E mais rápida. Entregamos o carro no sábado e buscamos o novo na quinta. Era isso. Tudo muito simples. Mas pode ser assim? Alguma vez já me desfiz de um carro sem enfrentar várias dificuldades? Não é apego ao antigo. Não tenho nenhum tipo de sentimento por automóveis. Trato-os bem apenas para que eles me transportem com segurança de um lugar para outro. Mas nunca chamei um carro por nome próprio e nem enfeitei-o com bichinhos. Usei-o uma ou duas vezes como espaço publicitário, mas para causas nobres.

O meu problema é com os papéis. No sábado, combinei animadamente com a vendedora de entregar o meu carro na segunda-feira, junto com toda a documentação necessária, incluindo o maldito certificado de transferência do veículo, ou que nome tenha esse papel. Vai ser tranqüilo, pensei. Já perdi esse documento uma vez e sei que dá trabalho. Foi do último carro que tive e Betinho levou mais de ano para fazer a transferência. Quando comprei o que estou negociando hoje, peguei o tal papel e falei: vou guardar esse direitinho para não ter problemas mais tarde. E foi exatamente o que fiz. Mas fiz com tanta convicção, guardei-o tão bem guardado, que hoje não sei mais onde está. Como diz a Nisinha, certamente está em local seguro, porém incerto.

Têm dois dias que estou revirando papel velho lá em casa. Achei os documentos do Tipo, que estavam sumidos quando precisei deles para vender o carro para o Betinho; topei com todos os crachás que já carreguei na vida; o relatório da primeira visita do Daniel ao pediatra e todas as receitas médicas a partir de então; essa mesma papelada do Rafael; todos os meus contracheques e também os do Cláudio; pedaços de papel com desenhos dos meninos, desenhos ou traços, traços ou desenhos, sei lá; carteiras de clube, de planos médicos; diplomas, certificados, ipvas de carros que nem me lembrava mais que tivemos (um Prêmio! huahuahua!); para não falar nas caixas de contas de luz, água, iptus e outras tralhas, tralhas e tralhas. Achei tudo que não precisava, menos o tal documento. Parecia pesquisa no google. Já pensei em organizar essa papelada um dia. Hoje pensei diferente. Um dia vou é jogar tudo isso fora.

Tudo bem, Policena, não vou morrer disso. De fato, é só tirar uma segunda via e tocar o barco pra frente. Mas a Bia, penalizada com o meu cansaço, a minha frustração, a minha revolta, a minha ira, a minha indignação, a minha recusa, a minha vontade de estrangular qualquer um, por ter encontrado todos os papéis da minha vida, da certidão de nascimento até a última conta do celular, menos o papel que precisava; penalizada com tudo isso, ela me orientou a procurá-la. Ela disse, é só pedir para Policena Barbosa, que ela encontra para você.

E ela foi tão sincera, tão espontânea, quando disse isso, que fiquei sem graça de recusar. De dizer que não poderia incomodá-la por tão pouco. Mas Bia falou também com tanta fé, que achei que valia a pena tentar, assim, sem querer importunar muito. Se for possível, né? Se não for, me viro. Estou até achando bom andar a pé! Principalmente agora, que vai começar a chover! É isso, Policena. Vou aguardar até amanhã pela manhã, que é o prazo que a concessionária me deu para dar entrada nos papéis. Se não encontrá-lo, terei de arrumar outra batelada de documentos e encaminhá-la amanhã também para garantir a entrega do outro carro daqui há 12 dias!!!! E o feriodo do servidor público?


Brigadinha Policena Barbosa e prazer em conhecê-la!


PS: Por via das dúvidas, a Rutinha me aconselhou também a rezar o Salve Rainha até a parte que diz “mostrai-nos...” Vou tentar. Vou tentar de tudo para ver se acho esse pedaço de papel. Vou apelar também para Santo Expedito, Santo Antônio e São Longuinho. Ai, ai viu. Cá pra nós, ficar sem carro com agenda cheia é tudo de ruim!

sexta-feira, outubro 21, 2005

Palavrinhas mágicas

Tô falando. Esses ingleses são uns loucos. E, como eles, todos os britânicos. Não é que agora os gentlemen estão desconfiados de que já não são mais tão gentis assim! Os argentinos que o digam. E Jean Charles deve estar revirando no túmulo três vezes por dia.

Pois então, o Tony Barbie e Bete Boom, a rainha de copas, resolveram por ordem na classe e botar a turma para estudar boas maneiras de novo. Huahuahua! Os malcriados, ou yobs (boy ao contrário), que é como eles são chamados por lá, vão ter de reaprender as palavrinhas mágicas: please, thanks, sorry, good morning, good evening, good night and son one.

Não vale mais dedo no olho, soco na boca do estômago, puxão de cabelo, rasteira, cosquinha nem pensar e, muito menos, mordida na bochecha. Tô zuando. Mas que o Parlamento britânico concedeu poderes especiais à polícia para que ela possa coibir os comportamentos anti-sociais, isso é fato. Deu no jornal.

Doravante, os britânicos (ôw, eles são muito civilizados, mas são descompensados) não poderão mais cuspir na rua (eca!), jogar papel no chão (gostei), deixar de olhar nos olhos do caixa do supermercado para atender um celular (hehehehe) e nem empurrar ninguém na rua sem pedir desculpas. Se pedir, será que pode?

E beber, pode? Só se for para ficar sóbrio, porque os bebuns vão ser tratados a ferro e fogo e imediatamente enquadrados. Se vacilar, serão banidos dos bares. Mendicância agressiva também está fora do jogo. Vocês entenderam essa? Mendicância pode. Mas agressiva aí não, já é abuso, né?

Tô boba. Se um carinha arriscar o pé fora da linha, a polícia vai lascar no sujeito uma tal de ASBO, que é uma ordem por comportamento anti-social ou, em bom português, baixaria, que pode levar um imigrante à falência em poucos minutos. Tô entendendo que é uma advertência. Mas, triscou de novo, vai chorar em até US$ 35 mil em multas ou pegar cinco anos de cadeia. Também pode ser punido com o banimento temporário de ônibus e bares. Vai ralar à pé e com sede. Pegaram pesado, hem?

Nas últimas seis semanas, os policiais britânicos não brincaram em serviço. E eles são disso? Já aplicaram 4 mil 600 ASBOs nos malcriados. As mães britânicas estão rindo até as orelhas. Não falei, não falei que tínhamos de dar educação para esses meninos! Teve uma que fez um comentário hilário: tem muito pai que acha que educação é opcional, igual vidro elétrico em carro. Não é. Concordo, mas é difícil ensinar essa meninada! Ô se é!

Tudo bem, tô é com uma pontinha da colherzinha de café de inveja. Já pensaram uma tropa de policiais britânicos desembarcando na nossa praia? Não ia sobrar ASBO para subir as montanhas, quanto mais para chegar ao Planalto.

Mas fiquei pensando outra coisa. Se essas ASBOs tivessem validade internacional, vocês conseguiriam imaginar o exército britânico descendo no Iraque com um caderninho de notificação sobre a cabeça? Ai, ai, viu. Eles estão certos, mas são uns loucos e moram numa ilha. O mundo fica do lado de cá.

Por favor crianças, durmam bem comportadas e sonhem só com os anjinhos. Brigadinha.

PS: Já disse que estou pensando na entrevista do Chávez, né? Pois é, agora joguei tudo no liquidificador: a entrevista, um discurso do Oscar Arias, que a Rutinha me passou hoje e uma palestra de Bernardo Toro. Vou ver no que vai dar.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Pensando bem

São José da Costa Rica, coração civil
Me inspire no meu sonho de amor Brasil

Ufa, não foi fácil, mas consegui decidir o meu voto para o referendo de domingo. Depois de uma temporada votando Sim pela manhã e Não a partir do final da tarde, pulei para a fase de votar nulo. Fui tomada por aquele sentimento de recusa radical. Não vou participar da brincadeira!! Mas, depois, esfriei a cabeça, respirei novos ares e voltei a pensar melhor.

Fiquei observando a convicção do Cláudio pelo Sim e a determinação do Rafael pelo Não e me senti meio que desafiada a tomar uma posição também. Eu e o Dani, que ainda estávamos abertos a sugestões, trocamos figurinhas e decidimos pelo Sim. A inspiração veio de uma música do Milton e do Fernando Brant – Coração Civil. Fiquei chocada por não ter me lembrado dessa música antes. Ando muito distraída. Foi preciso ler o artigo do ex-presidente da Costa Rica, Oscar Arias Sánchez, na Folha de um dia desses, para me lembrar dessa música. O artigo de Arias Sánchez foi fundamental também para o meu Sim. Sem dúvida, temos de romper a espiral da violência e o referendo poderá ser a primeira bandeira branca que vamos agitar na praça.


Ia percorrer novamente os caminhos que segui para chegar a essa conclusão, mas desisti. Não é que tenha sido um caminho tortuoso, pelo contrário, mas é que hoje pensei de uma forma diferente, quase encantadora. O Fonte Boa me chamou para ajudá-lo na pré-produção de uma entrevista que vamos fazer para o programa Memória e Poder, da TV Assembléia. A entrevista é com o Hugo Werneck, que, entre outras vivências interessantes que justificaram a escolha do seu nome para o programa, é um espalhador de passarinhos. Vocês sabem o que é isso?

Não é uma profissão qualquer e nem uma atividade muito corriqueira. Exige muita experiência, mas não se aprende na escola. Aprende-se é na lida. Exige também muita paciência e muito esforço. Ou seja, é preciso muito querer. Mas o que autoriza, de fato, alguém se tornar um espalhador de passarinhos é outra coisa. É a capacidade desinteressada, gratuita, espontânea, desprevinida de amar a natureza. Mas não é um amor assim passivo, meramente contemplativo. É um amor farto, que sobra para os lados. Que se oferece à natureza de presente, sem pedir nada em troca. Amor puro, vamos dizer assim.

E o que faz um espalhador de passarinhos? Ele observa o passarinho na sua morada original. Fica dias ali, só de olho. Depois recolhe alguns exemplares da espécie e identifica, em outro ponto do território, um lugar que tenha as mesmas características daquele que hoje abriga o tal bichinho e os solta ali. Pode ser também um local onde essa espécie já habitou e que, por uma razão ou outra, foi obrigado a abandonar. Como Belo Horizonte, que tinha muito bem-te-vi e saíra azul. Aí, chegaram os pardais e detonaram com todas as espécies, para reinarem absolutos. Pardal é uma praga terrível e nem sabe cantar. Aí, o espalhador de passarinho trouxe de volta o bem-te-vi e o saíra azul e hoje já podemos acordar ouvindo o chamado: bem-te-vi! bem-te-vi!. Sacaram?

Bom, mas o que isso tem a ver com o referendo? Nada, ou melhor, ainda não sei direito. O que sei é que ao ouvir essa história me veio à cabeça a idéia do cuidar. A gente fica na cidade, correndo pra lá, pra cá; andando dentro de um carro, de um ônibus apertado; trabalhando em frente de um computador; ligando e desligando aparelhos domésticos de toda sorte de utilidade; e vai se enganando que vivemos num mundo-máquina. Mas não vivemos. Definitivamente, não vivemos. Nós continuamos a fazer parte dessa natureza que está aí, tentando dialogar com a gente, à sua moda, claro. E tome furacão, tome terremoto, tome vírus letais, etc,etc.

Então, fiquei pensando o que seria o cuidar nessa questão do referendo. O cuidar pensando também nas gerações futuras. Aí não tive mais dúvidas. O cuidar é dizer Sim à proibição do comércio das armas e munições (ô perguntinha matreira, hem?). É romper a espiral de violência e comunicar ao mundo que queremos guerrear sim, mas com outras armas. Vamos usar as palavras; os gestos cuidadosos; a atenção redobrada, para ouvir e observar; o silêncio, que pode doer, às vezes, mas não mata; e outras coisinhas delicadas que podemos imaginar e criar se forem necessárias. Foi isso que pensei. Viajei, né?

Estou pensando também sobre quem é que está financiando essas campanhas do referendo. Já consegui a resolução do Tribunal Superior Eleitoral que designa as frentes parlamentares como sendo responsáveis pela arrecadação de recursos, realização dos gastos, enfim, pela administração financeira e prestação de contas das campanhas. Vou ler mais sobre isso e acompanhar a tramitação dessas contas. Ôw, agora fiquei muito curiosa mesmo para saber quem é que está metendo a mão no bolso ou na bolsa para bancar a festa democrática do referendo.

Até mais bichinhos.
E lembrem-se, eles passarão, nós passarinhos!


PS: A letra de Coração Civil, para quem quiser se inspirar no domingo:

Quero a utopia, quero tudo e mais
Quero a felicidade nos olhos de um pai
Quero a alegria muita gente feliz
Quero que a justiça reine em meu país
Quero a liberdade, quero o vinho e o pão
Quero ser amizade, quero amor, prazer
Quero nossa cidade sempre ensolarada
Os meninos e o povo no poder, eu quero ver
São José da Costa Rica, coração civil
Me inspire no meu sonho de amor Brasil
Se o poeta é o que sonha o que vai ser real
Bom sonhar coisas boas que o homem faz
E esperar pelos frutos no quintal
Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder ?
Viva a preguiça viva a malícia que só a gente é que sabe ter
Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida
Eu vivo bem melhor

segunda-feira, outubro 17, 2005

Olha a oonndá!

De volta do paraíso tropical, mas ainda sob a proteção de Santa Ignorância. Vi vendo que tudo que vai nessa vida volta e, como volta, vai de novo. E, se outra vez não volta, é porque não valeu a pena. Aí é melhor mesmo abandonar no meio do caminho. Seja lá o que for. Esquecer no acostamento, para tornar a vida mais leve.

Se não volta, pode ser também porque valeu muito a pena e nem precisa voltar porque já está para sempre. Mas o mais comum nessa vida é isso: tudo que vai, uma hora volta. Como as ondas. Então:

OLHA A OONNDÁ!


Foto: minha

E como somos pessoas muito comuns, já estamos de volta. Depois de oito dias respirando os ares do Atlântico, estamos preparados para enfrentar as rotinas de final de ano. Argh, horinha difícil, hem? Vou deixar tudo para depois. Para quando não der mais para adiar. Vou deixar mesmo é tudo para última hora, afinal, estamos apenas começando!

Observem a tribo reunida. Olhando novos horizontes!


Keshia, Adriano, Daniel, Artur, Rafael, Gustavo. Prontos para a vida!
Foto: minha também


E a mãe mais ou menos natureba. Mais menos do que mais, né? Encarando o mundo de frente, face to face, olho no olho. Isso é hora de balanço? Só se for bem mais tarde. Talvez no ano que vem, porque agora, na vida, só resta seguir...


Foto: Keshia Ma

Mas, de vez em quando, é bom dar uma paradinha para apreciar um pôr do sol. Reabastece a alma.


Fotos: Keshia Ma


Um restinho de brisa do mar para todos.


Foto: minha outra vez

segunda-feira, outubro 10, 2005

Ainda se move

Direto do paraíso tropical. Vi vendo o mar: coletivo de ondas, aquelas que determinam o movimento dos meus pensamentos. Vi vendo o sol, que bate na terra e liberta do chão o morno que nos aquece e nos faz ter uma vontade danada de fazer nada. Vi vendo o vento que arrasta pro muito longe as idéias infelizes e descabidas. Vi tudo isso só vendo.

E estava só andando e vendo, quando um jornal caiu em minhas mãos. Ôw, nem queria pensar e menos ainda no bush, que não assinou o diacho do Protocolo de Kioto. Mas trupiquei de novo nas notícias e os pensamentos voltaram em ondas, que se desmancharam em palavras e ficaram ali na areia pedindo para serem fisgadas, temperadas, fritadas e servidas mais uma vez.

E hoje não nego, porque a terra tremeu em Muzaffarabad e redondezas e ninguém me contou. E por que deveriam? E por que não deveriam?

Pangéia ainda se move. É só isso que sei agora. Cada parte do seu todo se afasta ou para frente ou para trás, para um lado ou para o outro. Ma se a terra não se expande, como o universo que respira incansavelmente, os blocos que se afastam, voltam a se reencontrar. Gondwana e Laurásia ainda podem se recompor e, de novo se recompondo, podem remontar o começo dessa história: era uma vez há muitos e muitos anos atrás, há milhões e milhões de anos atrás, num reino chamado Pangéia....

Fico pensando que essa idéia de globalização tem uma força estranha, que nos repele e nos atrai, dependendo do ângulo de onde a olhamos. É impossível não pensarmos o mundo como um único indivisível, quando nos recolhemos à nossa insignificância ou quando o vemos como sendo a nossa única casa entre os bilhões e bilhões e bilhões de astros que circulam e gravitam no vazio desolado do universo. Mas é possível encontrarmos ainda na rua alguém que pensa que, na nossa insignificância, somos nós o deus absoluto que governa todos os reinos deste planeta: animados e inanimados, vivos e mortos.

Mas quem sabe da vida, para além do que aprendemos no nosso jardim, ao observarmos um bezouro seco no meio da grama? Quem sabe da vida, para além das besteira que vemos nos jornais? Quem sabe deste mistério? E, ainda assim, a natureza dialoga com o homem. Escutem. Pangéia ainda se move e faz milagres.

Pelo menos no subcontinente indiano. Longe de lá, o furacão Katrina varreu a costa oeste do subcontinente americano e expôs a fragilidade da única superpotência do mundo, revelando as dores e a miséria que se escondem nas entranhas do império. No subcontinente indiano, o terremoto, que destruiu cidades inteiras na Índia e no Paquistão, aproximou dois arqui-inimigos, que serão agora solidários na mesma dor e na mesma miséria.

Se essa vida, que não sabemos qual é para além do nosso umbigo, ainda faz sentido, os dois sairão fortalecidos dessa parceria e não estraçalhados e derrotados como a américa de bush. Foi nisso que fiquei pensando, enquanto andava e via vendo as letras na folha do jornal.

Bons ventos para todos.

sábado, outubro 08, 2005

Manjar dos deuses

Ufa, finalmente conseguimos reunir a equipe de triatletas virtuais para um primeiro encontro. Não chegou a ser um treino, mas fizemos, lá pelas tantas, uma bela caminhada virtual pelas ruas de Paris. Mais do que isso e antes disso, pegamos uma trilha poética e andamos de mãos dadas com Drummond, com Pessoa, com os manoéis - o Bandeira e o de Barros - e com Oswald de Andrade. Até Camões apareceu e outros que vieram de cabeça e que agora me escapam. Depois cortamos pro lado e enveredamos por um caminho mais tortuoso, seguindo o rastro musical do Roni e topamos com Caetano, Milton, todos os mineiros e com aqueles que os inspiraram, de Ari a Adoniram, incluindo Violeta Parra e até o famosos não sei quem.

Agora estou aliviada. Esse encontro vinha martelando na minha cabeça, pedindo para acontecer, já há quatro semanas e não podia ficar assim adiando sine die os momentos bons da vida, vocês concordam e compartilham minha aflição? Valeu moçada! Vamos repetir. Outro assunto que está batendo na minha cabeça, pedindo para pensar nele, é o referendo. E o dia 23 já está aí! Esse assunto foi servido também no encontro, junto com os pãezinhos bonísssimos, os patezinhos e os etceteras. Entramos na polêmica desarmados e, depois de muito bate boca, chegamos a um consenso: sobre esse assunto não há consenso.

Concordamos também, ao encerrarmos a discussão para evitarmos o inesperado, que o argumento mais forte da noite foi o da outra Patricia, que vai votar Não: e o cara que está lá no meio do mato, lá na roçinha, criando um boizinho de nada, plantando umas batatinhas e aí vai que aparece uma onça pra ele, hem? Não pode matar? Não pode? Não pode, porque ele não tem um revólver nem enferrujado. E se tiver, não tem munição, porque é proibido vender. O que qui ele faz com a onça? Essa pergunta ficou sem resposta.

Agora, o argumento mais sensível e bonito da noite foi o Roni quem leu, ele que vai votar Sim: um poema de Drummond, que conta a história do leiteiro da sua rua, inadvertidamente assassinado por um morador, que o confundiu com um ladrão. Foi muito convincente. Mas, por fim, fiquei na mesma. Continuo achando que votarei sim até por volta das 16 horas, depois começo a repensar e termino a noite votando não. Mas ainda tenho tempo para decidir sobre isso.

Agora, sinceramente, no cá pra nós, que ninguém nos ouça, porque acho que deveríamos praticar exaustivamente e sempre mais, tanto os referendos quanto os plebiscitos, mas olhem bem, esse assunto é danado de infeliz. É trágico mesmo, porque independentemente do nosso voto, o problema que ele toca, que é no fundo o da violência urbana, não será, nem de longe nem de raspão, modificado pelo resultado do referendo. Vai ser uma propaganda enganosa. Nosso voto não vai modificar nada, nesse caso específico, porque ele não acerta a raiz dos nossos problemas. E, nesse ponto, concordo com o não, porque corremos o risco é de vê-lo agravado, com o fortalecimento e expansão do mercado ilegal de armas.

E se a gente fizesse um referendo assim: Você é a favor de uma política de distribuição de renda? Sim - Não. Aí eu acho que começaríamos a mudar alguma coisa!

Chega de blá, blá, blá. Agora, vou me embora para pasárgada. Vou, pelo menos por uns dias. Vou pular sete ondas, levantar sete brindes e jogar sete sonhos para trás e começar tudo de novo. Acho que vale a pena. Vou me embora para pasárgada, mas volto logo.


Vamos embora pra Pasárgada. Lá é bom pra viver, não pra pensar

bjim doce para todos

quinta-feira, outubro 06, 2005

Lo Dia Internacional de Hablarse Portuñol

Atencion comunidád!

Estoy dano una de copista:

Pieço a tuedos para que anotem esta data en suas agiendas: 13 de outubro de 2005 es lo dia en que todos nosotros brasileños debemos utilizar el portuñol en sus bitácoras y chats, en el trampo, en la huera de camiñar, tomar el café da mañana, ligar para su amante, enfim, todos os momentos del día debem estar recheados de palabras en portuñol!

Visitem la párrrrrina oficial del Dia Internacional de Hablarse Portuñol!

Hasta la vista de nuevo amiiigos!!!

PS: No es recomiendável para meniores di dezueito años, pero fazer o quê? Tudo por la causa!

Ai que mêda!

Vichi! Agora fiquei realmente preocupada! Fui pesquisar sobre o Hélio Garcia na internet e passei pelo Terra para ver o que estava rolando por aí. Quase caí da cadeira. Li a cores e ao vivo: Com medo dos EUA, Bovespa cai 5% em dois dias. Que trupico, ou será que foi um tombão? Isso não é brincadeira. Já vi o mercado nervoso e não foi nada bom. Com medo, nunca tinha visto. Mas temo que o mercado acuado seja pior ainda.

Olhem só, parece despropósito, mas a coisa que mais me mete medo é aquela que desconheço. E, agora, estou diante dela. Não tenho a menor idéia sobre o que motiva os movimentos do mercado. Sei que ele tem uns repentes que, às vezes, deixam as pessoas felizes e, às vezes, desesperadas. Mas porque ele age assim, porque seu humor é tão instável, não dou notícia. Desconfio ou mais invento algumas explicações para enganar o meu medo, mas saber sabendo, não sei.

O que fiquei pensando foi o que será que o bush está aprontando dessa vez, para deixar o mercado com medo. O bush, aquele que não quer assinar o Protocolo de Kioto, lembram-se? Será que estamos sob a ameaça de um ataque especulativo? Onde está George Soros? Me lembrei dele também. Ôw isso é sério, 32% dos negócios realizados na Bovespa, do início do ano até agora, representam investimentos estrangeiros. Isso é um terço, não é? Vieram atraídos pela perspectiva de valorização dos papéis tupiniquins, que estavam com preços de ocasião. Mas todo mundo já sabe que, se amanhã, esses investidores enxergarem oportunidades melhores em outras praias, fazem as malas e vão embora, como vieram, sem pedir licença. Eles são assim, uns ingratos.

Bom, mas aí, tomei coragem e fui ler a notícia. Estava tudo explicadinho: o movimento de queda foi provocado pelas declarações de um integrante do FED, que é o banco central americano, insinuando novas elevações da taxa de juros da maior economia do mundo e ainda mais, por outra notícia, da elevação da inflação naquele mesmo mercado e tudo isso, liquidificado, teria potencializado o ímpeto de realizações no mercado nacional. Realizações são os movimentos dos investidores que têm o dom de transformar papel em dinheiro.

E é isso que me intriga. O Brasil quase desmoronou nos últimos quatro meses, e o mercado ficou ali, quietinho, assobiando na esquina, como se nada estivesse acontecendo. E isso foi até bom, porque mostrou a maturidade da economia brasileira, a sua autonomia frente às instabilidades políticas. Mas bastou um funcionário do FED dar com a língua nos dentes, que o mercado estremeceu. Qui coisa siô! Tá na hora de chamar o Chaves para eles, hem? Ou então alguém me explica como funciona o humor deste mercado!

Enquanto ninguém me esclarece isso, fiquei pensando e me lembrei das cpis de novo. Olha que engraçado, a CPMI dos Correios acabou de pedir a abertura das contas de 11 corretoras de valores e continua tentando entender (ninguém explica pra eles também, hehehe) qual a relação dessas corretoras com os fundos de pensão. Não é coincidência? O mercado não tem medo disso? Eu fico gelada só de pensar. Se der uma doida nas cpis e elas resolverem mergulhar nessa história, como deveriam, vai dar confusão.

Olhem só, não entendo isso direito, só tô pensando, hem! Mas quem puxa a fila dos investidores, quando o mercado vai fazer qualquer movimento, são os fundos de pensão. Isso eu sei. Ficam os bobos ali tentando comprar uma açãozinha aqui ou ali pra ganhar mais um dinheirinho; ficam lá analisando gráfico, o sobe e desce das curvas e aí, sem avisar, os fundos resolvem entrar no mercado forçando um movimento para cima ou para baixo. E o bobo fica lá, perdidinho da silva. É assim que funciona. Ôw, eu, no lugar do mercado, teria medo era da CPMI.

Mas, às vezes, também não é nada disso. A gente é muito ignorante. Pode ser, pode ser que tudo isso não seja nada mais e nada menos do que um movimento de realizações mesmo. O mercado subiu muito nesses últimos dias, os investidores podem ter se dado por satisfeitos e resolveram pôr o dinheiro no bolso. Funciona assim também. E pronto. É isso. Já vi muito gráfico do mercado de ações. Só vi. Nunca entendi. Mas deu para perceber que a sua dinâmica é semelhante à dos elevadores: sobe e desce, sobe e desce e vice-versa. Só que o desenho é mais parecido com o de uma escada rolante, mas o princípio é o mesmo.

Ou então, ainda, e para terminar, pode ser apenas um reflexo da depressão dos operadores da Bolsa. Desde o último dia 3, o mercado está operando por meios eletrônicos. Acabou aquela gritaria, aquele stress dos corretores gritando, agitando os braços, xingando a mãe de todo mundo. Agora eles trabalham num ambiente tranqüilo, calmo, sereno. Deu um choque depressivo nos operadores da Bovespa. Estão down!

Bye crianças, durmam com os anjinhos!

segunda-feira, outubro 03, 2005

Vem pra praça, você também!*

Assaz o senhor sabe: a gente quer passar um rio a nado, e passa; mais vai dar na outra banda é num ponto muito mais embaixo, bem diverso do em que primeiro se pensou. Viver nem não é muito perigoso?
Guimarães Rosa – Grande sertão:veredas

No final de semana, estava pensando no frei Luiz Flávio Cappio, que faz uma greve de fome contra a transposição do rio São Francisco. Esse projeto é muito antigo. Muito anterior aos últimos 10 anos que andam mencionando por aí. Anterior até aos governos militares, quando ele foi objeto de estudo também, se não me engano, pelo então ministro Mário Andreazza (lembram-se dele?). Vou perguntar ao Márcio ou à Beth, que estão pesquisando sobre o assunto, qual é a data certa da primeira versão concebida para essa obra. Se não me engano, de novo, foi ainda na época do Brasil Império.

Bom, mas não era exatamente sobre o projeto que pensava. Era na força da atitude. Olhem que essa polêmica já rendeu muitas páginas escritas e horas/discurso de reflexão, mas dificilmente conseguia-se mobilizar e envolver as populações ao longo do rio, e fora de suas margens também, para discutir o projeto. Hoje também é difícil, mas a atitude de frei Cappio está atraindo romarias a Cabrobó e mudando a cena. Parece que as palavras já estão cansadas e desgastadas e desacreditadas e definhadas e sem fôlego para sensibilizar as pessoas. Estão jorrando rio afora. E só. Perderam o seu encantamento. Agora é preciso mais. É preciso atitude. Temos fome de fatos. Isso é estranho e compreensível ao mesmo tempo.

Então. Estava pensando nisso, quando o rio dos meus pensamentos foi brutalmente desviado do seu leito. Inadvertidamente, cliquei no site do no mínimo e trombei de frente com um texto de Mario Sergio Conti, sobre blogs, google e emails. Claro que li, né. Mas, meus amigos, antes não o tivesse lido. A desinformação, às vezes, nos faz muito bem. E também à alma. Não. Não foi o fato de ele criticar os blogs que me deixou pasma. Eu até tenho muitos amigos que também não gostam de blogs (rs). Acham sem graça.

Já pensei sobre isso e acho que eles tem uma certa razão. Eu me lembrei de quando brincávamos de qualquer coisa e alguém ficava de fora. Invariavelmente, esse alguém também achava a brincadeira sem graça. Tô brincando, de novo. O fato, é que tenho amigos que não curtem blogs, nem orkuts, nem nada disso. Tenho amigos que nem têm computador em casa. Por opção. É o jeito deles.

Voltando ao Conti, o que me deixou pasma foi a inconsistência das críticas que ele faz a blogs. Até parecia que ele estava escrevendo num blog, de tão frágeis que foram seus comentários sobre essas praças do universo virtual!

Primeiro: exibicionismo. Claro que tem, ó xente! Nós vivemos numa sociedade massificada que impõe, contraditoriamente, a individualização a qualquer custo como única garantia de reconhecimento. E nessa guerra, cada um luta por sua identidade como pode. Alguns têm mais bagagem e não se perdem no meio da multidão. Outros põem piercing no umbigo. Outros se expõem nos reality shows da vida. 15 minutinhos de fama, lembram-se? É assim que é. Então, tem exibicionismo mesmo, mas nem mais nem menos do que em qualquer outra praça do planetinha.

Segundo: violência verbal. Ah tá! Vai dizer que é só em blog que se vê isso. Não acompanhou nenhuma reunião das cpis? Nunca assistiu a um programa do Ratinho, do Tom Cavalcanti, daquele canal de TV que só passa besteirol? Nem de relance? Nunca recebeu spam de sacanagem? Nunca ouviu FoxMc & Fox Mãe ou qualquer funk enlatado desses que rolam por aí nas fms da periferia? A mediocridade graça solta. A crítica tem fundamento, mas essa violência não é exclusividade dos blogs, está em qualquer supermercado.

Terceiro: opinismo. Sem comentários. O que é a nossa imprensa hoje? E nela é pior, porque o opinismo, muitas vezes, vem disfarçado. São poucos os que assumem abertamente suas cartilhas. E eu os admiro, porque com eles podemos dialogar olho no olho. Mas a maioria disfarça, faz de bobo. Nos blogs por onde já andei – é verdade que não foram muitos – mas lá, o opinismo era assumido, autêntico e até ingênuo. Estamos todos no playground da praça. Estamos ainda aprendendo a opinar. Mas um dia vamos crescer.

Quarto: asneira. É. Asneira mermo. Como é asneira jogar tapão, pique de altura, queimada, casinha, rouba bandeira, gol a gol, palitinho, pula maré, batatinha e essas besteiras todas que divertem as crianças. Mas é assim que elas aprendem a se relacionar e a se tornarem adultas, né? Paciência se temos de passar por isso. Pelo menos eu penso assim.

Quinto: verborragia. Nisso ele tem toda razão. Concordo. Houve uma demissão em massa de editores. Eu fui uma das que dispensei o editor. Não dava conta de tanto palpite. Além do mais, não estamos disputando ponto no ibope, mas só pensando, opinando, achando, palpitando, metendo o bedelho onde não somos chamados. Não fazemos questão que nos leiam, pelo menos acho que não, ou será que sim? Bom, mas se quiserem ler, leiam o que está escrito. Se for palavra em excesso...deixem pra depois. Mesmo porque, como estava pensando lá no alto do poste, as palavras já perderam seu encantamento. Mas brincando com elas de novo, quem sabe, elas recuperam sua magia.

Só mais uma coisa que me intriga. Por que alguns jornalistas e escritores tem tanta implicância com blogs? Será que eles pensam que a escrita é monopólio deles? Vou pensar sobre isso. E sobre os blogs da Guerra do Iraque – o retorno; os blogs dos jornalistas; os blogs dos políticos; os blogs de New Orleans, os blogs da crise política, etc, etc, etc.

Au revoir mes enfants!

Bom soninho para todos.

PS: Uau! Depois vou pensar sobre a entrevista de Hugo Chavez. Um dia.

* Já sei, já sei. Não é "vem pra praça, você também"! Ou é "venha pra praça você também" ou "vem pra praça, tu também". Mas aí vai perder a graça. Hehehehe, demiti meu editor, mas estava sentindo falta de um revisor. A minha amiga Chalita ficou de me ajudar sempre que puder. Vou passar os originais para ela fazer uma revisão geral antes de publicá-los. Desconfio que isso vai gerar bons debates. Adoro essas discussões entre escrivinhador e revisor! Ainda mais com Chalita que é uma artista e muito criativa!

sábado, outubro 01, 2005

Trilha Musical

Pra quem fica e pra quem vai.

CD - Os Tribalistas
Faixa 10 - Lá de longe


Longe, lá de longe

De onde toda a beleza do mundo se esconde
Mande para ontem

Uma voz que se expanda e suspenda esse instante
Longe, lá de longe

De onde toda beleza do mundo se esconde
Mande para ontem

Uma voz que se expanda e suspenda esse instante
Lá de longe

De onde toda beleza do mundo se esconde

Cante para hoje